Lula critica 'interferência' dos EUA no continente americano

Presidente diz que se embaixador americano em La Paz se reunia com oposição, Evo fez certo em expulsá-lo

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

17 de setembro de 2008 | 16h02

Ao comentar a decisão do governo da Bolívia de expulsar o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 17, em entrevista que será divulgada às 22 horas pela TV Brasil, que é "famosa a interferência" das embaixadas dos EUA no "continente americano". Trechos da entrevista foram divulgados antecipadamente na página da Agência Brasil na internet. Veja também:Brasil venderá caminhões e ônibus para Bolívia, diz LulaGoverno e oposição assinam trégua na BolíviaBolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Entenda o que é a Unasul  Enviada especial fala sobre trégua na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações   Na avaliação de Lula, o presidente boliviano, Evo Morales, não pode aceitar ingerências políticas. "Se for verdade que o embaixador dos Estados Unidos fazia reunião com a oposição do Evo Morales, o Evo está correto ao mandá-lo embora", declarou Lula, acrescentando: "O papel de embaixador não é fazer política dentro do país, não." Expulso na última quinta-feira, o embaixador Goldberg foi acusado por Evo Morales de conspiração. Lula, na entrevista à TV Brasil, comentou que, certa vez, uma embaixadora americana, (Donna Hrinak) respondeu, em um jornal, a uma crítica que ele havia feito ao presidente George W. Bush.  "Eu mandei o Celso Amorim chamá-la e dizer que não era admissível dar palpite sobre a entrevista do presidente da República", relatou Lula. "E também não é de hoje, é famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente americano", afirmou. "Acho que houve um incidente diplomático. Se o embaixador estava tendo ingerência na política lá, o Evo está correto." O presidente brasileiro disse que torce pelo fim da crise na Bolívia: "Peço a Deus que tenha estancado (a crise), peço a Deus que todo mundo compreenda o que é melhor para a Bolívia." Lula avaliou que a solução para o impasse entre o governo Evo Morales e a oposição depende mais dos dois lados do que da intermediação de outros países e organismos internacionais. "Todo mundo quer ajudar a Bolívia. Agora, é preciso que a Bolívia queira ser ajudada."

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