Lula daria recado a Ahmadinejad, diz ministro

Vannuchi afirma que presidente iraniano ouviria um 'assim não dá' no Brasil

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2009 | 07h33

Pelo menos um integrante do alto escalão do governo brasileiro se diz publicamente "aliviado" pelo cancelamento da visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, marcada para esta semana. Trata-se do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que afirmou na quarta-feira, 6, que a visita "não ocorreria em um bom momento".

Vannuchi revelou que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, estava pronto para dar um recado a seu colega iraniano sobre seu comportamento. "O presidente Lula disse que diria: assim não dá", afirmou Vannuchi. A explicação dada por diplomatas para o cancelamento da visita foram as eleições no Irã, em junho.

Em vez de embarcar para a América do Sul, Ahmadinejad viajou para a Síria. Duas semanas atrás, na conferência sobre racismo da ONU, em Genebra, o presidente iraniano questionou o Holocausto e qualificou o governo de Israel de racista. O discurso foi criticado por diversos governos, incluindo o do Brasil.

"Foi um alívio", admitiu Vannuchi, em relação à notícia do cancelamento da viagem de Ahmadinejad. "Esse era um momento ruim, com protestos e depois do discurso na ONU", explicou. "Questionar o Holocausto é um problema gravíssimo. É mostrar, de alguma forma, uma simpatia por Adolf Hitler."

Vannuchi afirmou que recomendaria ao chanceler Celso Amorim que o Brasil não poderia aceitar "nenhum pronunciamento". "Como ministro dos Direitos Humanos, não posso adotar a atitude de achar que isso não é um problema", disse o ministro.

China

Vannuchi, porém, comparou a visita do iraniano ao Brasil à situação de Richard Nixon, presidente americano, em sua visita à China (em 1972) durante a Guerra Fria. "Ahmadinejad tem, com o Brasil, uma das poucas chances de discutir com líderes internacionais", afirmou. Lula, segundo ele, é hoje um dos poucos que o receberia.

Amorim ainda teria dito a Vannuchi que o cancelamento partiu mesmo de Ahmadinejad, motivado por problemas internos, relacionados com a eleição de 12 de junho.

Vannuchi também disse que propôs ao presidente Lula que leve à China um plano para o Brasil prestar assistência a Pequim em relação à promoção dos direitos humanos. Lula estará na China em duas semanas. O ministro, no entanto, ressaltou que o programa de direitos humanos lançado este ano pelo regime chinês "é muito bom".

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