Andrés Cristaldo/Efe
Andrés Cristaldo/Efe

Lula diz que ajudará a reconstruir relações entre Venezuela e Colômbia

Governante afirmou que tentará solucionar o conflito, 'sendo ou não presidente do Brasil'

Efe e BBC,

30 de julho de 2010 | 19h06

VILLA HAYES, PARAGUAI- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 30, durante visita ao Paraguai que trabalhará para reconstruir as relações entre Venezuela e Colômbia, inclusive quando deixar a presidência no final do ano.

 

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Em entrevista coletiva em Villa Hayes, a 60 quilômetros de Assunção, Lula disse que irá "trabalhar para reconstruir a relação entre Venezuela e Colômbia, sendo ou não presidente do Brasil".

 

Além disso, o governante declarou "que a única palavra que não pode existir entre os dois países é 'guerra'. É uma palavra forte. Deve-se pronunciar a palavra paz". "Colômbia e Venezuela são dois países muito importantes para a integração da América Latina e do Mercosul".

 

Lula acrescentou que os dois países vizinhos têm uma fronteira comum ampla e que este conflito afeta o fluxo comercial.

 

Por sua vez, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, preferiu manter desconfianças em relação às provas apresentadas pelo governo de Bogotá sobre a existência de guerrilheiros colombianos em território venezuelano.

 

"Eu não garantiria que as provas da Colômbia sejam contundentes. Ouviria as duas partes", disse Lugo, para quem deve ser buscada uma solução definitiva ao conflito entre Caracas e Bogotá.

 

Os dois governantes compareceram nesta sexta-feira à cerimônia de obras de uma nova linha de alta tensão que partirá da hidrelétrica brasileiro-paraguaia de Itaipu até Villa Hayes, na região do Chaco paraguaio.

 

Sem consenso

 

A tentativa de resolver o impasse diplomático entre Bogotá e Caracas por meio de uma reunião de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), na noite desta quinta-feira, terminou sem sucesso.

 

Depois de mais de cinco horas de tenso debate, o grupo não chegou a um consenso sobre a criação de mecanismos para conter a crise bilateral e decidiu deixar nas mãos dos presidentes do bloco sul-americano a tarefa de reaproximar os dois países.

 

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse à BBC Brasil que a reunião serviu para "baixar a temperatura" do conflito, ao mesmo tempo em que admitiu que os países não chegaram a um acordo porque ainda havia tensão entre Colômbia e Venezuela.

 

"Os chanceleres precisavam fazer muitas consultas, os ânimos estavam ainda um pouco quentes, mas o importante é que conseguimos baixar a temperatura", afirmou Garcia, que substituiu o chanceler Celso Amorim no encontro.

 

Presidentes

 

A crise entre Colômbia e Venezuela deverá ser tema de debate de uma reunião extraordinária de presidentes da Unasul que deverá ocorrer logo depois que Juan Manuel Santos assumir a presidência da Colômbia.

 

O conflito binacional teve início há uma semana, quando Bogotá apresentou ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) supostas provas sobre a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.

 

Em seguida, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou de mentirosas as acusações e rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.

 

Para Chávez, as acusações são parte de uma "desculpa" para justificar uma intervenção armada da Colômbia em seu país, que a seu ver, conta com o apoio dos Estados Unidos.

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