Lula diz que só irá a reunião sul-americana se a Bolívia pedir

O presidente acha que, sem o pedido, o encontro de líderes poderia ser considerado uma interferência

Tânia Monteiro e Ariel Pacaios, de O Estado de S. Paulo,

13 de setembro de 2008 | 15h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vai telefonar para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, para tratar sobre a possível reunião de emergência dos presidentes de países da União das Nações Sul-americanas (Unasul). A proposta da presidente do Chile prevê um encontro de cúpula para a próxima segunda-feira, dia 15, em Santiago do Chile, onde os presidentes deverão declarar apoio institucional ao presidente boliviano, Evo Morales.   Veja também: Entenda os protestos da oposição na Bolívia Filas se formam em frente às distribuidoras de gás   Imagens das manifestações   Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA   Lula disse em entrevista que aceita participar da reunião desde que haja um "pedido expresso da Bolívia". O presidente acha que se isso não ocorrer, o encontro poderia ser considerado uma interferência externa indevida de outros países. O presidente fez vários apelos para que "os bolivianos dialoguem" e resolvam a crise interna entre governo e oposição.   A convocação da reunião de emergência da Unasul havia sido feito pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. Chávez, que ao longo dos últimos dias declarou que estava disposto a qualquer medida para proteger o governo de seu aliado Morales, foi o primeiro em confirmar sua presença, de forma enfática: "É óbvio que irei!". A convocação parte do Chile porque o país exerce a presidência da Unasul atualmente.   A Unasul é composta pelos 12 países da América do Sul: a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Suriname e Guiana (a ex-Guiana Britânica). As únicas exclusões da Unsaul na América do Sul são a Guiana Francesa (departamento de além-mar da França) e as Ilhas Malvinas (pertencente à Grã-Bretanha). A Unasul foi criada no ano passado, com a intenção de aprofundar a integração econômica e política da região. Sua antecessora foi a Comunidade Sul-americana de Nações (CSN), fundada originalmente em 2004.   Fontes do governo argentino indicaram que a cúpula de emergência terá como principal objetivo "tomar uma ação conjunta" para restabelecer a paz na turbulenta Bolívia. Segundo Chávez, os presidentes dos países que integram a Unasul irão à Santiago "com visão de unidade para responder com uma única voz e apoiar a Bolívia".

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