Lula e Bachelet devem ir ao Haiti para coordenar reconstrução

Cúpula da Unasul discute pedido de crédito multilateral ao país e eliminação de tarifas para produtos haitianos

Efe,

09 de fevereiro de 2010 | 18h12

Os presidentes sul-americanos ofereceram nesta terça-feira, 8, ao Haiti um amplo pacote de ajuda que inclui o envio de máquinas para a construção de casas e escolas, navios cargueiros com alimentos, assim como o envio de pessoal especializado - técnicos agrícolas e especialistas em educação - para ajudar a empobrecida nação caribenha a se recuperar do terremoto do dia 12 de janeiro.

 

O anúncio ocorreu durante a reunião extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul), cujo objetivo é coordenar ações de ajuda para a reconstrução do Haiti.

 

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O presidente colombiano, Álvaro Uribe, sinalizou estar disposto a negociar com os credores do país o perdão da dívida de US$ 428 milhões do Haiti, e também cogitou a reconstrução de um bairro haitiano onde viviam 80 mil pessoas. De qualquer modo, o presidente confirmou que será colocado em prática um plano para a construção de 200 albergues no país caribenho.

 

O presidente da Colômbia também concordou com seu colega do Peru, Alan García, em acolher a proposta do mandatário equatoriano, Rafael Correa, de eliminar tarifas sobre produtos haitianos.

 

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, ofereceu enviar ao país "técnicos de agricultura, segurança, saúde e habitação" para integrarem uma secretaria técnica de planejamento interno", com o propósito de revitalizar essas áreas do Haiti.

 

Além disso, os países acordaram em criar um fundo de até US$ 100 milhões para financiar obras do setor agrícola, viário e de saúde, com investimentos de acordo com o PIB de cada país, e pedir ao BID um crédito de mais US$ 200 milhões para apoiar a reconstrução da nação.

 

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará o Haiti no próximo dia 25.

 

Também durante o encontro, o representante

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presidencial do Chile para o Haiti, Juan Gabriel Valdés, disse em seu discurso que a presidente chilena, Michelle Bachelet, visitará o Haiti no próximo dia 20.

 

Na reunião convocada por Correa, presidente temporário da Unasul, participaram os presidentes do Haiti, René Préval; do Peru, Alan García; do Paraguai, Ferando Lugo, assim como representantes da Bolívia, Venezuela, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Suriname e Guiana.

 

Tendas de campanha

 

Préval solicitou aos países presentes no encontro tendas de campanha para a população desabrigada e também pediu que apoiem seu país com ajuda de médio e longo prazo após o forte terremoto que atingiu a nação em 12 de janeiro.

 

Convidado especial para a cúpula extraordinária, Préval disse que existem milhões de pessoas sem-teto e que, eventualmente, elas poderiam fazer protestos. Por isso, insistiu que os haitianos agradeceriam o fornecimento de tendas por parte de seus amigos sul-americanos.

 

Em breves palavras, Préval, que falou após os governantes e representantes dos países sul-americanos, destoou dos discursos e fez um pedido concreto e imediato.

 

Marco Aurélio Garcia, assessor especial para Assuntos Internacionais do Brasil, representando Lula, disse que a ajuda da Unasul deve ser "mais efetiva" em direção ao Haiti, onde não só ocorreu uma tragédia natural, mas uma catástrofe social.

 

"Outros países sofrem terremotos, mas o impacto não é tão grande como o que ocorreu no Haiti, por isso que a Unasul deveria coordenar a ajuda imediata e a de médio e longo prazo", acrescentou.

 

Garcia reforçou a importância do ter uma "estratégia política" para que o esforço fortaleça o Estado haitiano: "O Haiti é um país soberano, não é uma coleção de projetos", disse.

 

O representante brasileiro insistiu que o apoio ao governo haitiano deve começar por escutar o presidente daquele país. Nesse sentido, disse que seria interessante atender a solicitação do Haiti aos países que formam a Missão Internacional de Estabilização para o Haiti (Minustah) de "substituir os soldados combatentes por soldados de engenharia" e "transferir menos blindados e mais máquinas" para a nação caribenha.

 

Garcia também sugeriu a formação de uma equipe técnica da Unasul para dialogar diretamente com o Governo haitiano, para avaliar as necessidades desse país e canalizar a ajuda.

 

Notícia atualizada às 19h02 para acréscimo de informações

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