Lula espera que Obama 'tenha ouvido' plano de Raúl para presos

Líder cubano sugeriu troca de dissidentes por 5 agentes de Cuba; presidente diz que proposta foi 'surpresa'

Efe,

19 de dezembro de 2008 | 15h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira, 19, confiar que o presidente eleito de EUA, Barack Obama, "tenha ouvido" o ditador cubano, Raúl Castro, no sentido que poderia trocar dissidentes por cinco agentes cubanos, durante encontro com jornalistas no qual estes foram proibidos de gravar suas declarações e de tomar nota delas, de acordo com determinação do Palácio do Planalto.   Veja também: Castro sugere libertar presos políticos como aceno a Obama   Lula declarou aos jornalistas que a proposta que Castro fez na quinta em sua presença durante visita a Brasília foi "uma surpresa" e a considerou um "passo positivo" em direção ao possível início de um diálogo entre Estados Unidos e Cuba.   Em Brasília, ao responder com visível irritação à pergunta de um jornalista sobre a situação de presos por crime de opinião em Cuba, Castro afirmou que se os Estados Unidos "querem os dissidentes, os mandamos amanhã, com família e tudo, mas que nos devolvam nossos cinco heróis."   Assim referiu-se o ditador aos agentes cubanos Gerardo Hernández, René González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González, detidos na Flórida em 12 de setembro de 1998, e condenados por espionagem e conspiração para assassinato, apenas que vão de 15 anos de reclusão à prisão perpétua.   "Por que não falamos dos US$ 57 milhões que o Congresso dos EUA aprovou para pagar agentes ou dos nossos cinco 'heróis', que nunca fizeram nada e estão presos há dez anos?", disse Castro, esquivando-se da pergunta sobre os dissidentes - ativistas, intelectuais e jornalistas presos por se manifestarem contra a atual ditadura cubana que completa 50 anos em 2009.   A declaração do ditador cubano foi imediatamente rejeitada pela Casa Branca, que voltou a exigir a libertação de todos os dissidentes políticos presos em Cuba sem nada em troca. "Há muito tempo pedimos que Cuba liberte os presos políticos e agora recomendamos que o faça imediatamente", declarou à Agência Efe em Washington a porta-voz do Escritório para a América Latina do Departamento de Estado, Heidi Bronke.   Ela acrescentou que a liberdade dos dissidentes não tem relação alguma com o caso dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, que "foram julgados" e não "detidos" por suas idéias políticas. A dissidência cubana em Havana também rejeitou a troca sugerida por Castro.   Elizardo Sánchez, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDHRN), disse à agência Efe que essa proposta "mostra a falta de independência dos tribunais em Cuba", porque expõe que o governo "pode dar a ordem" de libertar os presos.   "É impraticável qualquer tipo de comparação com os prisioneiros por crime de opinião", acrescentou Sánchez, vaticinando que a postura de Castro alimentará o "mesmo imobilismo que caracterizou o regime (comunista)" durante os últimos 50 anos.   Segundo a CCDHRN, atualmente há 210 presos políticos em Cuba. Um deles, o jornalista Ricardo González Alfonso, preso desde 2003, poucos meses após fundar a primeira não-estatal do país, "De Cuba", foi escolhido este mês o "jornalista do ano" pela organização Repórteres Sem Fronteiras.   Durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Lula também voltou a defender hoje o fim do embargo a Cuba, que, em sua opinião, carece de "justificativa" dos pontos de vista "moral", "político", "ético" e "econômico."   Sapatada   Ainda nesta sexta, Lula disse não acreditar que Obama possa ser alvo de uma sapatada, como aconteceu com Bush. "Eu não acho que Obama vá receber uma sapatada, não acho que vai acontecer com ele o que aconteceu com Bush", disse Lula em resposta a uma pergunta da ANSA durante um café da manhã com jornalistas.   No último dia 14 de dezembro, um jornalista iraquiano jogou seus dois sapatos no presidente Bush quando este oferecia uma coletiva de imprensa ao lado do premier iraquiano, Nuri al Maliki, em Bagdá.   Durante o ataque, o repórter declarou: "É o beijo de despedida, seu cão". Barack Obama assume a Presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20 de janeiro.   (Com Ansa)  

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