Lula pede investigação da OEA sobre crise Colômbia-Equador

Presidente acusa Bogotá de violar soberania equatoriana e diz que acredita em saída pacífica para o conflito

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

04 de março de 2008 | 13h59

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 4, que a Colômbia violou a soberania territorial do Equador e poderia ter pedido pela prisão dos membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ao governo de Quito. Lula disse ainda que a América do Sul não está preparada para conflitos e que o Brasil pedirá na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acontece nesta tarde, pela investigação do incidente em que uma incursão promovida pelo Exército colombiano em território equatoriano matou o número dois da guerrilha, Raúl Reyes.  Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Repercussão na imprensa internacional     Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Colômbia deve invocar lei anti-terror da ONU na OEAFarc tentavam obter material radioativo, diz Colômbia Venezuela anuncia fechamento da fronteira com a ColômbiaAnálise: 'É possível que as Farc se desarticulem'   'Cabe ao Brasil evitar guerra na região', diz ex-ministro Lula disse que conversou na segunda-feira com os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e da Argentina, Cristina Kirchner, sobre o incidente e que, apesar de toda a crise, acredita numa saída pacífica. "O Brasil, como sempre, vai tentar trabalhar pela paz". Mais cedo, o Chile adiantou que os dois países apresentariam uma proposta em conjunto para o envio de uma missão da OEA à fronteira entre o Equador e a Colômbia para verificar o conflito deflagrado pela incursão de tropas colombianas em território equatoriano. Na avaliação de Lula, "a América do Sul não está preparada para conflitos". E emendou: "E nós nem queremos conflitos porque a única chance de ver a América do sul crescer, se desenvolver e virar um continente rico é se houver um clima de paz e tranqüilidade para trabalharmos em harmonia". Lula disse que todos os presidentes da América do Sul sabem que a tranqüilidade nas relações entre os países é importante para manter o crescimento do continente e convencer os investidores estrangeiros. "A paz é a coisa mais importante para que isso aconteça e temos que evitar os conflitos", afirmou. Ao falar do incidente que motivou a morte de integrantes da Farc, Lula ressaltou: "Obviamente, do ponto de vista prático, a Colômbia poderia ter pedido ao Equador que fizesse a prisão de membros da Farc. Como isso não aconteceu, houve a divergência e vamos ter que encontrar uma solução para ela." Questionado sobre as tensas relações entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chaves, Lula admitiu: "Já faz tempo que existe uma guerra de nervos entre a Colômbia e a Venezuela". E voltou a dizer que a América do Sul não está preparada para conflitos e que os países deste continente precisam de muita paz para se desenvolverem. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que governo da Colômbia deveria fazer um pedido formal de desculpas ao Equador, garantindo que não voltará a invadir o território equatoriano. "A violação do território de um outro país é muito grave e deve ser condenada. Isso traz intranqüilidade para os Estados vizinhos, principalmente para os menores e mais fracos", disse Amorim. O ministro afirmou ainda que o Brasil defende a mediação do conflito pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e não por nações de outros continentes, como as da União Européia (UE). "Não creio ser necessária a participação de países extra-regionais na questão", avaliou.  Tribunal de causas O presidente Lula, ao encerrar discurso na 14º Cúpula Judicial Ibero-Americana, fez um pequeno desabafo a uma platéia formada por magistrados latino-americanos. "Espero que no futuro a gente tenha uma cúpula da América Latina que se transforme num tribunal das causas que nós, políticos, não sabemos resolver". Esse trecho do discurso do presidente, feito de improviso, foi interpretado por integrantes da platéia como uma referência às atuais divergências entre líderes sul americanos.  Apelo argentino A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez um apelo pela paz, defendeu a busca por uma solução negociada para o conflito entre a Colômbia e o Equador. Ela também pediu às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pela a libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. "Como presidente de todos os argentinos, quero convocar toda a região latino-americana ao compromisso com a paz e à libertação também de Ingrid Betancourt e dos reféns na Colômbia", afirmou durante discurso. Cristina também deixou clara sua posição de defender os interesses da região: "Sabemos que devemos aproveitar este momento em que vive a região, onde pela primeira vez os países emergentes estão em um processo de crescimento, para que nada nem ninguém tente perturbar esse crescimento". A presidente pediu ainda que esse conflito não afete "as lideranças populares e democráticas obtidas pelo voto popular" na região. (Com Marina Guimarães e Leonecio Nossa, da Agência Estado, e João Domingos, de O Estado de S. Paulo)   

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