Lula pede moderação à Unasul na relação entre EUA e Colômbia

Presidente aposta que diálogo em tom diplomático seja o melhor caminho para a resolução das tensões

Leonêncio Nossa, da Agência Estado,

26 de agosto de 2009 | 12h56

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera que os líderes da União Sul-Americana de Nações (Unasul) adotem, na reunião prevista para a próxima sexta-feira, 28, em Bariloche (Argentina), um tom de "diálogo" e de "moderação" em relação à polêmica criada pelo anúncio da ampliação da presença de forças militares dos Estados Unidos na Colômbia, segundo informou nesta quarta-feira, 26, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach.

 

"O presidente Lula confia e aposta no diálogo para aliviar as tensões na região. O Brasil espera um tom moderado", disse Baumbach, referindo-se à questão da Colômbia. Ele informou, ao mesmo tempo, que o governo brasileiro considera que a Colômbia e os Estados Unidos ainda não forneceram garantias jurídicas de que as forças militares norte-americanos não serão utilizadas para outros fins que não sejam os de combate ao tráfico de drogas em território colombiano. "Não foi dada nenhuma garantia concreta, não foi dado nenhum passo concreto para estabelecer essas garantias", afirmou.

 

O porta-voz acrescentou que o governo brasileiro avalia que questões como o armamentismo na América Latina e acordos de países da região com "potências extrarregionais" também têm potencial de criar tensões durante encontro de Bariloch. "É óbvio que não existe uma corrida armamentista na região, que é uma região de paz, mas é necessário que se discutam esses assuntos com transparência, para se evitar uma escalada armamentista", disse Baumbach.

 

Para definir o tipo de tensão existente na América Latina, o porta-voz utilizou metáforas, como faz habitualmente o próprio presidente Lula, ao dizer que " é preciso dar um ponta-pé inicial para resolver as tensões e que é preciso baixar a febre do doente."

 

O porta-voz disse que ainda será realizado o encontro que Lula pretende promover entre os dirigentes da Unasul e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A ideia inicial de Lula era a de que essa reunião ocorresse em setembro próximo. Segundo o porta-voz, a data ainda não foi definida "por questões de agenda".

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