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Lula pede regulação dos mercados e reforma de instituições

Presidente brasileiro é aplaudido ao defender a reintegração imediata do hondurenho Manuel Zelaya ao cargo

Nalu Fernandes, da Agência Estado, e Reuters,

23 de setembro de 2009 | 11h21

Em discurso na abertura dos debates da 64ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu que, um ano após a crise financeira mundial, os países ainda resistem em regular os mercados e se abrigam em medidas protecionistas. Lula ainda defendeu a restituição do presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, ao cargo, arrancando aplausos dos representantes dos 192 países membros da ONU. Ele ainda defendeu a reforma dos organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e do Conselho de Segurança da ONU.

 

O presidente alertou ainda que a comunidade internacional também "deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha". Segundo ele, sem vontade política, "persistirão anacronismos" como o embargo econômico contra Cuba e golpes de Estado, como o que derrubaram o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, que se encontra, desde segunda-feira, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

 

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O presidente brasileiro, o primeiro a falar segundo a tradição da Assembleia Geral da ONU, abriu seu discurso criticando a resistência de países ricos em reformas multilaterais. Em referência à falência do banco de investimentos Lehman Brothers, ainda que não tenha citado nominalmente, o presidente brasileiro avaliou que, passados 12 meses, constata-se que "houve alguns progressos", mas alerta que "persistem muitas indefinições". "Ainda não há uma clara disposição para enfrentar, no âmbito multilateral, as graves distorções da economia global".

 

Lula afirmou que o Brasil propõe "uma autêntica reforma dos organismos financeiros multilaterais". "Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do FMI e do Banco Mundial." Sem isso, ponderou, não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis. Para Lula, somente organismos mais representativos e democráticos terão condições de enfrentar complexos problemas, como os do reordenamento do sistema monetário internacional. O presidente alerta que os países ricos "resistem em realizar reformas nos organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial".

 

"Não é possível que, passados 65 anos, o mundo continue a ser regido pelas mesmas normas e valores dominantes quando da conferência de Bretton Woods. Não é possível que as Nações Unidas, e seu Conselho de Segurança, sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial". O presidente classificou ainda como "incompreensível a paralisia da Rodada de Doha, cujo acordo beneficiará sobretudo as nações pobres". Lula avalia que há sinais inquietantes de recaídas protecionistas e pondera que pouco se avançou no combate aos paraísos fiscais.

 

Quanto à saída do Brasil da crise, disse que o país não fez mágica e sim preservou o sistema financeiro da especulação e reduziu a vulnerabilidade externa. Ele voltou a defender a presença do Estado na economia. "(O que faliu) foi a doutrina absurda de que os mercados podiam auto-regular-se, dispensando qualquer intervenção do Estado, considerado por muitos um mero estorvo", disse.

 

O presidente brasileiro voltou a cobrar uma atuação maior dos países ricos no combate às mudanças climáticas. "Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global". E prometeu que, mesmo com a descoberta do pré-sal, "o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo".

 

Obama disse ainda que pretende continuar trabalhando por um acordo de paz entre Israel e os palestinos. Ele citou algum progresso, mas disse que os palestinos devem parar com o incitamento contra Israel, e reiterou que os EUA "não aceitam a legitimidade dos assentamentos israelenses". Os palestinos querem a área na Cisjordânia onde Israel realiza novas construções em assentamentos como parte de seu futuro Estado independente, e o tema é fonte de discórdia entre os dois lados.

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