Lula pretende convencer Evo a aceitar ajuda dos vizinhos

Presidente confirma presença em reunião de emergência no Chile; Bolívia recusou missão diplomática brasileira

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2008 | 10h23

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou na noite de sábado, com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, a sua participação na reunião que acontece nesta segunda-feira, 15, em Santiago, entre os presidentes dos países amigos da Bolívia. Na conversa, Lula ponderou sobre a necessidade do presidente boliviano, Evo Morales, concordar com a ajudar dos vizinhos, questionando a importância da reunião para que o objetivo fosse alcançado.   Veja também: Evo se reúne com oposição; mortos sobem para 28  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Filas se formam em frente às distribuidoras de gás   Imagens das manifestações   Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA   Michelle Bachelet pediu para que Lula participasse porque seria politicamente importante a presença do Brasil nas discussões. A confirmação do presidente é considerada fundamental, pois o País é o maior do continente, pelo seu peso político e principalmente pelas boas relações que Lula mantém com Evo. A preocupação de Lula era de que na quinta-feira, o governo brasileiro já havia oferecido a Evo que o ministro de Relações Exteriores interino, Samuel Pinheiro Guimarães, e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, embarcassem com outros representantes diplomáticos da região para tentar mediar as discussões entre governo e opositores. Na ocasião, Evo recusou a oferta, pedindo para que o grupo esperasse mais tempo.   Agora, no entanto, com a nova iniciativa dos presidentes da região, Lula ressaltou a necessidade de entendimento com a Bolívia e confirmou sua presença no encontro. O presidente passa o final de semana no Rio, na casa do governador Sérgio Cabral, num condomínio em Mangaratiba, sem compromissos oficias. Na segunda, Lula segue para Rezende, onde participa da inauguração de um Centro Logístico da Volkswagen para ônibus e caminhões e em seguida decola para Santiago, onde participa da reunião com os demais presidentes.   A convocação da reunião de emergência da Unasul havia sido feita pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. Chávez, que ao longo dos últimos dias declarou que estava disposto a qualquer medida para proteger o governo de seu aliado Morales, foi o primeiro em confirmar sua presença, de forma enfática: "É óbvio que irei!". A convocação parte do Chile porque o país exerce a presidência da Unasul atualmente.   A Unasul é composta pelos 12 países da América do Sul: a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Suriname e Guiana (a ex-Guiana Britânica). As únicas exclusões da Unasul na América do Sul são a Guiana Francesa (departamento de além-mar da França) e as Ilhas Malvinas (pertencente ao Reino Unido). A Unasul foi criada no ano passado, com a intenção de aprofundar a integração econômica e política da região. Sua antecessora foi a Comunidade Sul-americana de Nações (CSN), fundada originalmente em 2004.   Fontes do governo argentino indicaram que a cúpula de emergência terá como principal objetivo "tomar uma ação conjunta" para restabelecer a paz na Bolívia. Segundo Chávez, os presidentes dos países que integram a Unasul irão à Santiago "com visão de unidade para responder com uma única voz e apoiar a Bolívia".

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