Lula quer ajuda para que Cuba 'não volte a ser um cassino'

Presidente brasileiro diz que Raúl Castro é um homem preparado e pede que empresários invistam na ilha

REUTERS

26 de fevereiro de 2008 | 08h38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Buenos Aires na segunda-feira, 25, que a América do Sul precisa ajudar Cuba a se desenvolver nesta nova etapa pós-Fidel Castro, para que a ilha não volte aos tempos em que era "um cassino".   EUA criticam continuidade da 'ditadura Castro' Cuba terá de fazer adaptações para se manter socialista Raúl Castro afasta esperança de renovação em Cuba, diz 'NYT' Leia a cobertura completa sobre a sucessão de Fidel Após 49 anos, Fidel Castro renuncia à Presidência Raúl Castro torna-se guardião da revolução Lula foi um dos últimos chefes de Estado a irem a Cuba antes que Fidel anunciasse sua aposentadoria, na terça-feira passada. Em entrevista transmitida pela TV argentina, o presidente afirmou que na ocasião teve a impressão de que Fidel, que já estava afastado desde julho de 2006, continuava "lúcido politicamente". "Todos nós na América do Sul precisamos contribuir para que Cuba não volte a ser um cassino. Precisamos contribuir para que se aproveite todo o seu potencial intelectual, o potencial educativo do seu povo, e se transforme em um país mais próspero, mais desenvolvido", afirmou Lula ao canal de notícias TN. No domingo, a Assembléia Nacional cubana escolheu Raúl Castro, de 76 anos, para substituir seu irmão Fidel, de 81 anos - sendo os últimos 49 à frente do governo. "Estou convencido de que Cuba não voltará a ser o que era nos tempos de Fulgencio Batista. Cuba é um povo muito orgulhoso, extraordinariamente politizado, um povo com a formação adequada, e acho que vai se sair bem desta", acrescentou Lula. O afastamento de Fidel despertou especulações sobre possíveis reformas na ilha, mas Raúl sinalizou apenas mudanças limitadas, e os principais cargos do regime continuam nas mãos de veteranos da Revolução. O presidente brasileiro fez uma visita oficial à Argentina entre quinta-feira e sábado, onde reuniu-se com a presidente Cristina Kirchner e também com o colega boliviano Evo Morales. Lula disse ter pedido a empresários brasileiros que invistam em Cuba. "Decidimos ajudar os cubanos a fazer uma estrada, a principal estrada de Cuba. Estamos fazendo acordos com laboratórios, acordos para a recuperação de hotéis", relatou. "Acho que é assim que vamos ajudar Cuba: sem nenhuma ingerência política, e sim com muita vontade de ajudar os cubanos a fazer o que precisam que seja feito", concluiu.

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