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Lula recomenda cautela a Garcia em ação que libertará reféns

Presidente discutiu com assessor sobre missão desta sexta que deve soltar três seqüestrados pela Farc

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2007 | 13h07

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta quinta-feira, 27, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe recomendou cautela na missão que deverá ser realizada na sexta para resgate de três seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). "O presidente me fez uma única recomendação: faça tudo direitinho", afirmou Marco Aurélio, após conversa com Lula no Palácio da Alvorada e pouco antes de embarcar para Caracas, na Venezuela.   Veja Também: Garcia diz que libertação de reféns pode pacificar a Colômbia Chávez 'elogia' portunhol de Lula em coletiva sobre Farc Cronologia: do seqüestro à perspectiva de liberdade Blog do Guterman - O caso dos reféns das Farc: inversão moral      Marco Aurélio disse que participará da missão como observador e que a operação aérea de resgate dos seqüestrados pelas Farcs deve ser realizada na sexta. "Esperamos que corra tudo bem", comentou.   O plano negociado e anunciado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a "Operação Transparência", terá ainda a participação de representantes de seis países, além da Colômbia: França, Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba e Equador. Segundo Garcia, a idéia inicial era fazer a recepção dos reféns na quinta-feira. O esquema logístico foi montado para que os representantes estivessem em Caracas ao meio-dia (horário local, 14 horas de Brasília). Mas, dada a magnitude da operação, ela foi atrasada em 24 horas, pelo menos.   Os outros negociadores internacionais são: pela Venezuela, o ex-ministro do Interior e da Justiça Ramón Rodrigo Chacín, que vai coordenador a operação; pela Argentina, o ex-presidente Nestor Kirchner; por Cuba, o embaixador na Venezuela Germán Sánchez Otero; pelo Equador, o ex-ministro do Interior Gustavo Larrea; pela França, o embaixador na Venezuela Hadelin de la Tour-du-Pin; pela Bolívia, Evo Morales designou o vice-ministro Sacha Llorenti, ativista de defesa dos direitos humanos.   Chávez indicou que a cidade colombiana de Villavicencio, 95 quilômetros a sudeste de Bogotá, será a base de ação de Caracas para a operação de resgate dos reféns em poder das Farc. De lá, segundo Chávez, aeronaves venezuelanas decolarão para buscar os reféns em um local ainda a ser determinado pelas Farc.   Para realizar a ação, Chávez disse dispor de uma "caravana aérea humanitária" composta de aviões Falcon 90, que são pequenos e rápidos, e helicópteros - alguns já com o emblema da Cruz Vermelha Internacional, com equipamento médico.   Citando questões de segurança, o líder venezuelano afirmou que os pilotos só receberão as coordenadas exatas de onde estão os reféns quando já estiverem no ar, após decolarem de Villavicencio. Depois de receber os seqüestrados, os pilotos voltarão à cidade colombiana para então retornar à Venezuela. Também seria concedido algum tempo para os guerrilheiros se esconderem na selva colombiana, evitando sua captura por Bogotá. Chávez afirmou que pretende encontrar pessoalmente os reféns, assim que desembarcarem no país.   O presidente da França, Nicolas Sarkozy, agradeceu a seus colegas venezuelano, Hugo Chávez, e colombiano, Álvaro Uribe, pelas suas gestões destinadas a iniciar uma operação para liberar três reféns da guerrilha. Segundo um comunicado divulgado nesta quinta pelo Palácio do Eliseu, Sarkozy agradece a Chávez "por seus esforços e sua iniciativa" e a Uribe "por seu senso de responsabilidade", lembrando que o embaixador da França na Venezuela participará da operação como observador.   Troca de armas   Usando canetas coloridas para riscar um mapa que mostrava a Venezuela e a Colômbia, o presidente Hugo Chávez bancou o estrategista militar para explicar seu plano para resgatar os reféns das Farc. Mas o papel de herói emocionado que assumiu por diversas vezes durante entrevista no Palácio de Miraflores - "apenas a motivação humanitária me interessa" - foi substituído pela irritação quando se defendeu de rumores sobre um possível acordo secreto com a guerrilha colombiana.   "Há acusações de que apoiamos as Farc doando armas, mas nada disso é verdade", afirmou Chávez, transferindo a culpa para o "império", como chama os EUA. "Isso me dói muito, porque quando conversei com (o presidente francês, Nicolas) Sarkozy, estava pronta a fórmula para libertar não três, mas todos os reféns. Mas vocês sabem o que ocorreu. Intrigas e pressões inimagináveis do governo americano sobre Álvaro Uribe. Eles (os EUA) andam conspirando contra mim."   (Com Mariana Della Barba, enviada especial de O Estado de S. Paulo)  

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