Bob Strong/ Reuters
Bob Strong/ Reuters

Lula: Solução em Honduras é 'fácil' se Micheletti deixar o poder

Cúpula Brasil-UE condena destituição de Zelaya; comissão da OEA chega ao país na 4ª para tentar acordo

estadao.com.br,

06 de outubro de 2009 | 09h57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu nesta terça-feira, 6, que o líder do governo de facto Roberto Micheletti deve deixar e permitir a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya para o fim da crise política no país. "Para nós, a solução do problema em Honduras é muito fácil: os que participaram do golpe de Estado deixam o poder e permitem que o presidente legítimo e eleito democraticamente continue" governando, afirmou  Lula em coletiva de imprensa na Cúpula Brasil-União Europeia, que acontece em Estocolmo, na Suécia.

 

Veja também:

linkMicheletti revoga estado de sítio

linkMissão da OEA tenta forçar diálogo

linkSituação sanitária na missão começa a se agravar

especialEspecial: O impasse em Honduras 

 

"Só há uma coisa equivocada em Honduras: tem alguém na Presidência que não deveria estar lá", acrescentou Lula, que era acompanhado pelo presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e por Fredrik Reinfeldt, primeiro-ministro da Suécia, país à frente da Presidência rotativa do bloco.

 

O Brasil e a UE, além de condenarem a "violação da ordem constitucional" em Honduras, pediram ainda a inviolabilidade da embaixada brasileira em Tegucigalpa, que hospeda Zelaya, e fizeram um apelo para que a integridade física do líder, de sua família e de membros do antigo governo seja respeitada.

 

As autoridades europeias e brasileiras pediram ainda que todas as partes envolvidas na crise política em Honduras, "em particular o governo de fato", trabalhem por uma solução rápida. Em uma semana considerada crucial para a solução da crise no país - às vésperas da chegada ao país, na quarta-feira, de uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para forçar a abertura de um diálogo -, Micheletti mais uma vez deu sinais de avanço na direção de um acordo.

 

Pela manhã, em entrevista a uma TV local, afirmou que aceitaria o retorno de Zelaya à presidência, mas apenas depois das eleições presidenciais de 29 de novembro. No início da tarde, porém, durante a entrevista na qual anunciou o levantamento do estado de sítio, Micheletti evitou reiterar sua posição. Declarou apenas que "essa é uma questão para o diálogo".

 

Sob forte pressão da comunidade internacional, o governo de facto de Honduras revogou na segunda o decreto que instaurou o estado de sítio no país, dia 26. "Quero dar a notícia ao mundo inteiro de que revogamos completamente o decreto", afirmou o presidente de facto. Zelaya, deposto em 28 de junho e abrigado na embaixada do Brasil há 16 dias, exigia o levantamento do sítio como condição para aceitar negociações.

 

A missão da OEA será integrada pelos chanceleres da Costa Rica, Equador, El Salvador, México e Panamá e pelos vice-chanceleres do Canadá, Jamaica e Guatemala. A Espanha e a Argentina enviarão diplomatas. O Brasil será representado por seu embaixador na OEA, Ruy Casaes. Haverá ainda um representante do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

 

(Com Denise Chrispim Marin, enviada especial de O Estado de S. Paulo)

Tudo o que sabemos sobre:
HondurasBrasilUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.