Lula teria oferecido ajuda aos EUA para frear Chávez, diz jornal

Presidente ainda teria indicado aos EUA que poderia usar sua influência para apaziguar tensões na Bolívia

Da Redação,

06 de maio de 2008 | 19h50

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria indicado aos Estados Unidos que poderia usar a sua influência política na América Latina para tentar frear as ambições do líder venezuelano Hugo Chávez e apaziguar as tensões na Bolívia, informou uma reportagem publicada nesta terça-feira, 6, no jornal Valor Econômico.   Veja também: Chávez crê que governo da Bolívia sai fortalecido de referendo 'Ui, que medo', diz Chávez sobre relatório antiterror dos EUA Mapa da influência de Chávez na AL    A publicação afirma ter tido acesso a documentos que relatam um encontro em Washington entre o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, no dia 3 de março de 2005. Na ocasião, Dirceu, depois de um pedido de Rice para que o Brasil mandasse uma "mensagem clara" a Chávez, respondeu que Lula já havia aconselhado o líder venezuelano a moderar seu discurso.   Dirceu teria dito ainda não acreditar que Chávez colaborasse de alguma forma com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Sobre a situação da Bolívia, em um momento que Evo Morales se preparava para lançar a candidatura à Presidência, o então ministro teria afirmado que o Brasil tinha a situação sobre controle.   Michael Shifter, especialista em América Latina do centro de estudos Diálogo Interamericano, diz que afirmar que Lula possa ser um mediador entre os Estados Unidos e Chávez é uma ilusão. Na verdade, segundo o professor, há inclusive setores nos EUA que cobram uma posição mais dura de Lula em relação ao seu colega venezuelano. "O que acontece é que o discurso mais brando de Lula, aliado com uma certa afinidade com o presidente George W. Bush, fez com que o Brasil passasse a ser visto como um importante aliado dos EUA na América Latina."   Luis Fernando Ayerbe, professor de Relações Internacionais da Unesp, disse duvidar que o governo tenha se comprometido formalmente com os EUA, mas na prática, o país tem se mostrado um importante interlocutor dos EUA no continente, mostrando que é um governo que não segue o mesmo caminho de Chávez, mas sempre ressaltando a legitimidade do governo venezuelano. "A atuação do governo de Lula mostra uma mensagem clara de que os problemas da América do Sul devem ser resolvidos dentro da região".   Ayerbe ressalta que a política externa de Lula tem sido caracterizada por um forte pragmatismo. "Não é um governo de esquerda, mas um governo encabeçado por um partido de esquerda que trabalha com uma coalizão de outros partidos."   Governo nega oferta   O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou a suposta oferta de Lula aos Estados Unidos nesta terça-feira.   Segundo ele,"o papel que o Brasil procura desempenhar" na solução dos dilemas da América do Sul segue a linha da cooperação. "Nas inúmeras conversas com os presidentes Chávez e Evo Morales, nunca ouvi o presidente Lula falar nas palavras conter, reprimir, dificultar, obstar. A palavra repetida foi sempre cooperar", declarou o chanceler.   (Com Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo)

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