Macri pode levar eleição argentina ao segundo turno

Principal nome da oposição, prefeito de Buenos Aires teria 25% dos votos caso se candidatasse à Presidência

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2007 | 19h14

A nova estrela da oposição argentina, o prefeito eleito de Buenos Aires, Maurício Macri, poderia balançar a relativa segurança da candidata do governo à Presidência da República, a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, que atualmente desponta nas pesquisas como eventual vencedora no primeiro turno das eleições presidenciais de outubro.   Veja Também Cristina faz campanha à Presidência argentina na Espanha   Nos últimos dias ocorreram intensas mobilizações nos setores do Partido Justicialista (Peronista) que estão em confronto com o presidente Kirchner - entre eles, os integrantes das fileiras do ex-presidente Eduardo Duhalde - para tentar convencer Macri a disputar a presidência do país.   Macri, da coalizão de centro-direita Proposta Republicana (PRO) - e presidente do time Boca Juniors - tornou-se a principal figura da oposição ao derrotar, em junho, o candidato do presidente Kirchner à prefeitura portenha. Os mais de 60% de votos no segundo turno o entronizaram como alternativa ao governo.   Pesquisas realizadas pelo PRO indicam que se Macri fosse candidato à presidência, ele conseguiria 25% dos votos, enquanto que Cristina Kirchner teria 38%. Desta forma, Macri conseguiria forçar a primeira-dama a um segundo turno, algo pouco provável no atual cenário político.   Mas, sem Macri no páreo - segundo várias pesquisas - Cristina teria 45% dos votos, enquanto que seus dois principais rivais, Elisa Carrió, líder do centro-esquerdista Alternativa por uma República Igualitária (ARI) e o centro-progressista ex-ministro da Economia Roberto Lavagna conseguiriam cada um entre 12% e 15% dos votos. A vitória seria de Cristina, já que a Constituição argentina indica que se um candidato tiver 40% dos votos e uma diferença de 10% para o segundo colocado, vence no primeiro turno.   Fora da disputa   No entanto, o discurso de Macri, até agora, foi o de descartar a candidatura à presidência. Ele afirma que pretende realizar uma administração "modelo" de Buenos Aires nos próximos quatro anos e que só disputaria a presidência em 2011.   Os assessores de Macri, embora não confirmem os rumores, tampouco os desmentiam de forma categórica nesta segunda-feira, 23. "Macri administrará a cidade. Não acho que ele seja candidato a presidente", afirmou o deputado Federico Pinedo, do PRO.   As especulações sobre a candidatura de Macri também contam com o respaldo de vários setores empresariais que estão em choque com o governo. A idéia seria transformar Macri no principal candidato "anti-kirchnerista", capaz de unificar os votos de uma oposição atualmente atomizada.

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