Maduro assumirá Presidência da Venezuela sem ser reconhecido pela oposição

Nicolás Maduro vai assumir como presidente da Venezuela nesta sexta-feira, enquanto a autoridade eleitoral do país faz uma auditoria em todos os votos eletrônicos da eleição presidencial de domingo, a pedido da oposição, que se nega a reconhecer o resultado e classificou Maduro como "ilegítimo".

MARIO NARANJO, Reuters

19 de abril de 2013 | 08h39

O motorista de ônibus, de 50 anos, obteve o apoio dos chefes de Estado integrantes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que ele ajudou a criar quando era chanceler, mas também recebeu pedidos para baixar o tom na disputa com a oposição do país.

De acordo com números do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Maduro venceu as eleições no domingo por 265.000 votos, resultado que foi questionado pelo candidato opositor Henrique Capriles, o que detonou uma crise política no país, que conta com as maiores reservas de petróleo do mundo.

O conflito entre as forças do governo e a oposição depois do resultado apertado provocou embates nas ruas que deixaram oito mortos, segundo dados oficiais, e a acusação de Maduro contra seus rivais de tentativa de golpe de Estado.

Por volta da meia-noite de quinta-feira, o CNE revelou que ampliará a auditoria a 100 por cento dos votos eletrônicos, o que normalmente chega a 54 por cento, depois da pressão da oposição contra o resultado a favor de Maduro, que foi declarado vitorioso na segunda-feira.

A Venezuela teve que realizar inesperadamente a eleição para escolher um sucessor de Hugo Chávez, depois da morte no começo de março do líder de esquerda, que havia sido reeleito em outubro, derrotando Capriles. Chávez morreu vítima de câncer.

"Convido a todos e todas para a posse do primeiro presidente chavista, filho de Chávez", disse Maduro, confiante de que conseguirá reunir chavistas na cerimônia, que contará com dezenas de chefes de Estado, entre eles a presidente Dilma Rousseff.

Maduro tem pela frente a difícil tarefa de que conseguir que a oposição, que conquistou a maior votação nas urnas contra o chavismo em eleições presidenciais, o reconheça. Além disso, terá que demonstrar ao movimento criado por Chávez que ele está capacitado para liderá-lo e "aprofundar" o rumo ao socialismo no país.

"Agora vem o trabalho", disse o presidente eleito.

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