Maduro é eleito presidente da Venezuela; oposição não reconhece

Nicolás Maduro foi eleito no domingo o novo presidente da Venezuela e sucederá seu antigo líder Hugo Chávez, mas a vitória por uma estreita margem não foi reconhecida pela oposição, que pediu uma recontagem de todos os votos.

DIEGO ORE E MARIO NARANJO, Reuters

15 de abril de 2013 | 07h58

Maduro ganhou a eleição com 50,7 por cento dos votos, ante 49,07 para o candidato de oposição, Henrique Capriles, anunciou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na madrugada desta segunda-feira.

Maduro, herdeiro político de Chávez venceu por uma diferença de pouco mais de 230.000 votos, um resultado que, de acordo com o CNE, é irreversível. Chávez, que morreu de câncer em 5 de março, conseguiu uma vantagem superior a 1,5 milhão de votos quando foi reeleito em outubro, também numa disputa contra Capriles.

O líder de oposição disse ter uma lista com mais de 3 mil irregularidades registradas durante a votação que podem ter alterado a eleição, assegurando que sua campanha tem um resultado diferente do oficial.

Maduro celebrou a vitória como um tributo a Chávez e uma mostra de transparência. "Saberemos o que fazer se alguém levantar sua voz insolente contra o povo", disse o presidente eleito no palácio presidencial de Miraflores, onde festejou a vitória.

"Não terei fraquezas com ninguém que queira impor a violência ou que queira intervir nos assuntos internos da Venezuela. A Venezuela merece respeito, digo logo a quem pretenda se meter com os resultados", afirmou.

Pouco depois, Capriles, governador do Estado de Miranda, questionou o processo eleitoral e o presidente eleito.

"Senhor Maduro, se antes vocês era ilegítimo, agora está carregado de maior ilegitimidade... Esse resultado não reflete a realidade do que o povo venezuelano quer para o país", disse o candidato de oposição, prometendo fazer tudo o que estiver a seu alcance para buscar o que considera ser o resultado real.

Capriles, de 40 anos, argumentou que os eleitores estavam cansados das políticas divisoras da era Chávez e prometeu durante a campanha tratar de preocupações diárias do venezuelanos, como o crime e a elevada inflação.

"LUTA CONTINUA"

Chávez, que governou a Venezuela por 14 anos, designou Maduro como seu herdeiro político em seu último discurso à nação, na véspera de sua viagem a Cuba para o que seria uma última cirurgia contra o câncer.

Ele deu a seu ex-vice-presidente e chanceler uma grande vantagem, mas Capriles conseguiu diminuir a diferença nos últimos dias da campanha eleitoral e o resultado foi mais apertado do que muitos esperavam.

"Estou aqui para assumir a minha responsabilidade com coragem. A luta continua!", disse Maduro, de 50 anos, em seu discurso de vitória.

Milhares de seguidores do chavismo comemoravam nos arredores do palácio de Miraflores, cantando, dançando e disparando fogos de artifício, mas longe do ambiente festivo que se vivia a essas horas em 7 de outubro, quando Chávez foi reeleito.

Por outro lado, nas ruas do leste de Caracas, reduto da oposição, as pessoas promoviam um panelaço para demonstrar sua desaprovação.

"Paz, paz e paz", solicitou Maduro, ex-motorista de ônibus, pedindo para que as pessoas não caíssem em provocações nem provocassem os adversários.

Foi a primeira eleição presidencial sem Chávez em duas décadas.

(Reportagem adicional de Diego Oré, Eyanir Chinea, Deisy Buitrago, Todd Benson, Girish Gupta e Andrew Cawthorne)

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