Maduro e oposição se reúnem para tentar conter crise na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deve se reunir com líderes da oposição nesta quinta-feira, no início de conversas mediadas por chanceleres sul-americanos com o objetivo de encerrar os dois meses de distúrbios políticos que já mataram dezenas de pessoas.

ANDREW CAWTHORNE E EYANIR CHINEA, Reuters

10 de abril de 2014 | 19h17

Em mais um caso de violência relacionado à crise, autoridades declararam nesta quinta que um policial foi morto a tiros na cidade de Barquisimeto, no oeste do país, enquanto dispersava uma manifestação, elevando para 40 o saldo oficial de mortos.

Alguns grupos da oposição linha-dura, incluindo o partido do líder dos protestos e ex-prefeito Leopoldo López, atualmente preso, estão boicotando as conversas, já que dezenas de manifestantes continuam na prisão.

O encontro, mediado pelos chanceleres da Unasul, deve começar às 21h30 (horário de Brasília) no palácio presidencial Miraflores, em Caracas, e será transmitido ao vivo na TV estatal.

Os dois lados pediram à Igreja católica que compareça como testemunha "de boa fé". O Vaticano confirmou sua disposição em mediar, mas não nomeou um enviado para as conversas.

"Miraflores irá tremer," disse o líder de oposição Henrique Capriles, que perdeu a eleição presidencial do ano passado para Maduro, que substituiu seu mentor Hugo Chávez.

"Diremos a verdade ao governo, para que o país possa abrir os olhos e vejamos que as coisas podem mudar", acrescentou Capriles, que é parte da delegação da coalizão oposicionista Mesa de União Democrática (MUD) nas conversas.

Institutos de pesquisa dizem que os níveis de aprovação de Maduro e da oposição caíram durante a crise, e a economia já debilitada sofreu um novo golpe com o impacto dos embates violentos sobre os negócios e os transportes.

Desde que os protestos começaram, no início de fevereiro, cerca de 650 pessoas ficaram feridas, o que se soma às 40 mortes, dizem as autoridades. Mais de duas mil pessoas foram detidas, e 174 ainda estão presas.

Maduro, que se chama de "filho" de Chávez e busca preservar as políticas de bem-estar social financiadas pelo petróleo enquanto remenda o modelo econômico estatista de seu antecessor, disse antes do encontro que irá conversar, mas não negociar.

"Não vai haver pacto com ninguém. Há um debate, um diálogo, o que é diferente. Eu seria um traidor se começasse a negociar a revolução", afirmou.

Manifestantes radicais procuraram abertamente provocar uma "Primavera Venezuelana" que forçaria Maduro a deixar o cargo, mas não conseguiram atrair às ruas os milhões que esperavam. Mas se mostraram persistente, com bloqueios esporádicos de ruas, passeatas e outras táticas de protesto em algumas cidades.

Em Caracas, estudantes planejavam um comício pouco antes das conversas.

Maduro disse que se a oposição quiser se ver livre dele, terá que ser pelas urnas somente. "A oposição precisa voltar ao caminho constitucional e democrático", declarou ele a milhares de apoiadores durante um discurso na capital, saudado com gritos de "eles não voltarão".

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