Miguel Gutiérrez / EFE
Miguel Gutiérrez / EFE

Maduro ordena a milícias que produzam alimentos

Em meio a severa escassez de comida e remédios, presidente promete um milagre econômico na Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2019 | 00h59
Atualizado 14 de abril de 2019 | 19h36

CARACAS - O líder venezuelano, Nicolás Maduro, determinou que as milícias, segundo ele integradas por mais de 2 milhões de pessoas, se dediquem à produção de alimentos e prometeu um milagre econômico no país, castigado por uma severa crise.

“Neste momento, ordeno que as 51.743 unidades populares de defesa integral se dediquem à produção em todo o território nacional, para ver reverdecer um milagre produtivo. Fuzil no ombro, prontos para defender a pátria, e abrindo a terra para semear e produzir o alimento para a comunidade, para o povo”, disse Maduro no sábado, em um ato com os milicianos no sudoeste de Caracas.

A Venezuela, o país com as maiores reservas de petróleo no planeta, vive uma aguda crise econômica que se traduz em escassez e hiperinflação.

O Parlamento, de maioria opositora, disse na semana passada que a economia da Venezuela perdeu 55,17% do seu tamanho entre 2013 e 2018, quando Maduro governou o país pela primeira vez.

Segundo Angel Alvarado, membro da Comissão de Finanças da Câmara, a queda cada vez maior da produção de petróleo é o principal motivo da acentuada contração da economia venezuelana. Na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual a Venezuela é membro fundador, informou que o bombeamento do país caiu 28,3% em março com relação a fevereiro, atingindo 732 mil barris por dia.

Maduro evitou falar da indústria do petróleo, de onde o país obtém 96% da sua receita, mas se mostrou esperançoso. “Vamos ver um milagre com as coisas que podem ser feitas com a milícia, que é uma imensa força criativa para resistir aos embates do imperialismo”, afirmou, referindo-se à sabotagem que, segundo ele, os EUA conduziram contra seu governo. 

Intervenção

O líder opositor Juan Guaidó, que se proclamou presidente interino da Venezuela, afirmou em entrevista publicada neste domingo, 14, pelo jornal argentino Clarín que não está sobre a mesa a possibilidade de uma intervenção militar para dar fim ao regime de Maduro. Guaidó insistiu que a oposição nunca considerou uma intervenção. Segundo ele, é o próprio regime de Maduro que procura uma “solução militar” quando “fala com (o presidente sírio) Bashar Assad e ameaça transformar o país em outra Síria”.

“Aqui de fato já existe uma intervenção militar ilegítima, como a russa e a cubana permitidas por Maduro”, afirmou Guaidó, insistindo que na Venezuela “há tropas russas não autorizadas que devem ir embora”.

“Segundo as últimas pesquisas, 97% do país está contra Maduro e 91% quer uma mudança de governo. Estamos, então, esperando que os generais ativos se pronunciem”, disse. / EFE

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