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Maduro reforma gabinete e substitui ideólogo econômico de Chávez

Jorge Giordani, mentor do controle de câmbio e preços, dará lugar a presidente do BCV

O Estado de S. Paulo,

22 de abril de 2013 | 08h50

CARACAS  - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite de domingo, 21, uma ampla reestruturação de seu gabinete de ministros. A principal mudança é no comando da equipe econômica. Jorge Giordani, um dos mentores dos complexos controles cambiais e de preços aplicados há uma década no país, dará lugar a Nelson Merentes, presidente do Banco Central da Venezuela.

Giordani passará para o Ministério do Planejamento. Além da pasta da Economia, Merentes ocupará também a recém-criada vice-presidência econômica, em um sinal de que os recentes problemas econômicos do país devem ganhar uma maior atenção do novo presidente. Além de uma das inflações mais altas da América Latina, a Venezuela enfrenta um crescente déficit fiscal e problemas de desabastecimento. Recentemente, o bolívar foi desvalorizado em relação ao dólar.

"Tenho grande confiança em Nelson Merentes, nos conhecemos há muitos anos... Vamos fortalecer o Cadivi, a Sicad (sistemas de compra e venda de dólares) e todos os mecanismos que forem necessários", disse Maduro, citando órgãos envolvidos no rigoroso controle de divisas no país.

Giordani, um reservado acadêmico marxista e um peso pesado na administração do ex-presidente Hugo Chávez, agora se dedicará exclusivamente à pasta do Planejamento. Apelidado de "Monge" por sua dedicação ao trabalho e por seu estilo austero, ele foi um dos mentores econômicos do chavismo. "Ninguém acha que o modelo mudou, mas enfraquecer Giordani é positivo (para a iniciativa privada)", escreveu Asdrúbal Oliveros, diretor da consultoria Ecoanalítica.

Na reforma ministerial, foi mantido Rafael Ramírez como ministro de Petróleo e Mineração, um cargo que controla 90 por cento das divisas estrangeiras que entram na economia local por intermédio da estatal petrolífera PDVSA.  Maduro fez 17 mudanças em 31 ministérios, o que contrasta com o estilo do seu padrinho político Chávez, que sempre fazia mudanças homeopáticas e preferia as trocas de posições. "Queremos um governo mais socialista, mais humano", afirmou o presidente. Jorge Arreazza, genro do presidente Hugo Chávez, morto no mês passado, será o vice-presidente.

Por meio de sua conta no Twitter, o candidato derrotado na eleição presidencial, Henrique Capriles, ironizou a reforma ministerial, dizendo que a troca de cargos entre funcionários acusados de serem ineficientes ou corruptos é "mais do mesmo". / REUTERS E EFE

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