Mãe de Betancourt pede que filha tenha esperança

Yolanda Pulecio está na Venezuela para pedir que Hugo Chávez volte a mediar libertação de reféns das Farc

Efe e Reuters,

02 de dezembro de 2007 | 15h49

Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pediu neste domingo, 2, que a filha não perca as esperanças. Com detalhes dramáticos, uma carta escrita pela refém de rebeldes colombianos Ingrid  descreve como ela luta para sobreviver e manter a esperança após seis anos em campos guerrilheiros secretos.  Veja também: Em carta, refém das Farc diz que vive 'como morta'; mãe reage 'Aliviado', filho teme pela saúde de Ingrid Assista às imagens de Betancourt e outros reféns (BBC)  Especial: Tensão na América do Sul    "Não perca a esperança e a força; pense em suas crianças, e se alimente bem, porque diz que já não tem vontade de comer. Deus vai nos ajudar", disse Pulencio durante uma entrevista à emissora da televisão estatal venezuelana VTV. A mãe de Ingrid Betancourt também pediu ajuda aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, além de ao chefe guerrilheiro Manuel Marulanda.   Pulecio e outros familiares de reféns das Farc esperam ser recebidos por Chávez em Caracas, para pedir a ele que volte a ser mediador para uma troca humanitária de seqüestrados por guerrilheiros presos. Na semana passada, Uribe retirou esse status do presidente venezuelano, o que provocou uma crise nas relações entre os dois países.   "Espero muito de Chávez porque tem coração. O que mais me impressionou nele é sua consciência humana e social; é um homem com alma", acrescentou. "Pedimos a Chávez que continue nos ajudando, porque é a única esperança que temos", afirmou a mãe de Betancourt. Sobre Uribe, disse que "é muito obstinado", apesar de ter desejado que ele "reagisse e pensasse que tem uma responsabilidade com todos os colombianos".   Ressaltou que os familiares dos reféns e dos guerrilheiros presos não entendem por que, de uma forma tão abrupta e sem nenhum respeito, Uribe excluiu Chávez das negociações pelo acordo humanitário. "Não sei se Uribe se interessa pelo que acontece com essas pessoas. Pedimos a ele de todas as formas. Nos dois primeiros anos, pensei que ele nos ajudaria", acrescentou, pedindo também "uma atitude" do líder das Farc.   "Peço a Marulanda que tome uma atitude e liberte um grupo de reféns para dar início a um processo que permita a libertação de outros, gesto que seria mundialmente reconhecido", afirmou.   Carta publicada   Pulecio voltou a criticar o vazamento à imprensa de uma carta enviada por sua filha, interceptada esta semana em Bogotá. A mensagem foi transcrita em algumas passagens incompletas. "Era uma carta íntima para nós, sua família. Pensamos em processar" a procuradoria pelo vazamento, disse Pulecio a uma emissora de seu país.   Com detalhes dramáticos, uma carta escrita pela refém de rebeldes colombianos Ingrid Betancourt descreve como ela luta para sobreviver e manter a esperança após seis anos em campos guerrilheiros secretos.   O procurador-geral colombiano, Mario Iguarán, disse que se comprometeu a não divulgar a carta, por isso se mostrou surpreendido com sua publicação, pediu desculpas e prometeu que investigará o responsável pelo vazamento.   Ex-candidata presidencial seqüestrada em 2002, Betancourt é uma das figuras mais importantes entre as mantidas reféns pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que também mantém três norte-americanos em cativeiro desde 2003.   Betancourt contou que vive em uma rede com seus pertences embalados, pronta para marchar. Ela disse que quando tentou escapar muitos dos seus pertences foram confiscados pelos captores rebeldes. Seu único luxo é uma Bíblia, disse ela. "Há três anos eu peço uma enciclopédia para ler alguma coisa, para aprender alguma coisa, para manter viva minha curiosidade", escreveu Betancourt.    

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