Mãe de Ingrid Betancourt pede milagre ao Papa

Yolanda Pulecio quer mudanças no governo de Uribe e diz confiar na mediação da Igreja Católica

Efe,

05 de fevereiro de 2008 | 18h08

Yolanda Pulecio, mãe da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc em 2002, disse nesta terça-feira, 5, que pedirá ao Papa Bento XVI "um milagre para que o governo da Colômbia seja mudado", segundo noticiou agência Agence France-Presse.  Pulecio, emocionada, afirmou que teme a política e as operações militares organizadas por Álvaro Uribe para resgatar os seqüestrados pela guerrilha, e declarou que confia na mediação da Igreja Católica para conseguir se aproximar do grupo insurgente.  Pulecio, que permanecerá na Itália até o dia 15 de fevereiro, iniciou, junto com o prefeito de Roma, Walter Veltroni, uma campanha pela libertação de sua filha e das quase 700 pessoas seqüestradas na Colômbia.  O prefeito de Roma, líder do recém fundado Partido Democrático, reiterou seu compromisso a favor da libertação de Ingrid Betancourt. "Infelizmente eu não tenho o apoio do governo colombiano, mas tenho o apoio do governo francês, suíço, italiano e de muitos países da América Latina, dos senadores democratas dos EUA, dos países da América Central", reconheceu a mãe de Ingrid.  Ingrid Betancourt integra umgrupo de ao menos 43 seqüestrados que as Farc propõe libertar em troca de 500 guerrilheiros presos. Os familiares de outros três reféns, que as Farc prometem libertar em breve, sustentaram, nesta segunda-feira, em Caracas, que a "negociação" entre o Governo e a guerrilha é a "única via para a paz e a reconciliação". Esposas, irmãos e filhos dos ex-congressistas Orlando Beltrán, Luis Eladio Pérez e Gloria Polanco de Lozada reiteraram seu agradecimento "permanente e infinito" ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, e à senadora colombiana Piedad Córdoba pelas negociações para a libertação de seus familiares. "Vamos insistir na necessidade de uma negociação" entre o governo do presidente colombiano e as Farc, porque "consideramos que é a única via possível para a paz e a reconciliação", disse Ángela Rodríguez de Pérez, esposa de Luis Eladio Pérez. Jaime Lozada, filho de Gloria Polanco de Lozada, afirmou que os familiares dos seqüestrados esperam "nos próximos dias, ainda esta semana", reunir-se com Chávez para obter "informações mais concretas" sobre a libertação. Seu irmão, Juan Lozada, expressou que espera que o Governo de Uribe "mantenha seu compromisso" de facilitar a libertação dos três reféns, decidida unilateralmente pela guerrilha. "O presidente venezuelano afirmou que seu governo está pronto para receber os três reféns que a guerrilha se comprometeu a entregar a ele. "Já estamos prontos. Já antecipamos operações para resgatá-los", declarou Chávez em um ato militar na cidade de Valência, 120 quilômetros a oeste de Caracas. No sábado, as Farc anunciaram que entregarão os ex-congressistas Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán, seqüestrados em 2001. "Às Farc, dizemos (que) aqui, em território venezuelano, o Governo, o povo, estamos prontos para receber" os três seqüestrados e para "fazer tudo que tiver que ser feito para liberar todos os reféns que estão nas mãos da guerrilha", declarou o governante. No comunicado divulgado no sábado, as Farc não especificam a DAT de libertação dos três ex-congressistas nem mencionaram se a Cruz Vermelha Internacional participará da missão de resgate.

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