Mãe desesperada procura filha após terremoto no Peru

Trêmula e soluçando, ConstantinaLayme ia de cadáver em cadáver procurando sua filha na praçaprincipal de Pisco, onde uma igreja foi destruída durante umamissa por causa do terremoto de quarta-feira à noite. Diante de Layme na praça central de Pisco estão os corposde cerca de 50 dos mais de 400 mortos pelo tremor de magnitude8 que atingiu a costa central do país. "Estou procurando minha filha. Disseram que ela foi àigreja", disse Layme, 40 anos, na quinta-feira, olhando para aregião, no alto da praça, onde o local de oração foitransformado em túmulo. "Talvez ela esteja ferida, não sei." A maioria dos corpos na praça foi tirada da igreja, que erafeita de adobe. Ali, cerca de 20 bombeiros, policiais esoldados continuam escavando, com ajuda de uma máquina, nabusca de sobreviventes e mais cadáveres. Pisco é famosa como ponto de passagem para os turistas quevão à Reserva Natural de Paracas. A cidade, de 120 milhabitantes, é conhecida também pela bebida homônima, umaespécie de grapa. Na quinta-feira, porém, era a cidade do desespero. O operário Enrique Gonzáles, 48 anos, estava na praçaprocurando a esposa e três cunhadas. Elas estavam numa missa deintenção de alma na hora do terremoto. "O que você vê na sua frente é a imagem de uma família quesó tem crianças pequenas agora. Tenho três meninos pequenosagora, mas não tenho casa, porque ela caiu", afirmou Gonzáles. Em torno dele, as pessoas lotavam a praça procurandoparentes e amigos entre os cadáveres sujos de lama. A maioriados presentes usa roupas surradas e tem rostos castigados. Conforme mais corpos chegavam, José Aquije, o promotorlocal, dizia que muitos podem não ser identificados, porqueseus parentes também estão mortos ou feridos. Ali perto, pai e filho, ambos mortos, estavam abraçados --foi assim que foram achados nos destroços da igreja. Ao lado deles, três meninos, com idades de 10 anos, 3 anose 18 meses, provavelmente irmãos, estavam lado a lado.

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