Mães e esposas de dissidentes são presas durante protesto em Cuba

Anistia Internacional pede que regime castrista liberte 'prisioneiros de consciência'

BBC Brasil, BBC

17 de março de 2010 | 17h18

  Polícia cubana prende participante de protesto. Foto: Rolando Pujol/Efe

HAVANA - A polícia cubana prendeu, nesta quarta-feira, cerca de 30 mães e esposas de dissidentes políticos que participavam de uma manifestação na capital do país, Havana.  Intitulado 'Damas de Branco', o grupo exige a libertação de cerca de 50 críticos do governo que estão presos desde 2003.

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A mãe de Orlando Zapata Tamayo, o primeiro ativista que morreu em decorrência de uma greve de fome, participava da manifestação. O caso de Zapata gerou críticas internacionais ao regime cubano e apelos pela libertação de dissidentes.

Apelo

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu ao governo de Cuba que liberte o que classifica como "prisioneiros de consciência" - pessoas que são perseguidas por motivos como raça, cor, religião, orientação sexual ou crenças, entre outros, desde que não tenham usado violência.

A organização pede ao governo cubano que revogue leis que restrinjam a liberdade de expressão, o direito de associação e pede a libertação de todos os dissidentes detidos injustamente pelas autoridades.

A AI ainda pediu ao presidente cubano, Raúl Castro, que permita a entrada de organizações independentes para monitorar a situação dos direitos humanos no país e convide especialistas da ONU para visitar Cuba.

O pedido foi feito no sétimo aniversário da prisão de 75 dissidentes cubanos por volta de 18 de março de 2003. Desses, 53 continuam detidos. O governo de Cuba vê os dissidentes como "mercenários" que trabalham para os Estados Unidos.

Greve de fome

Um dia depois da morte de Zapata, outro prisioneiro, o jornalista Guillermo Fariñas, iniciou uma greve de fome, pedindo a libertação dos 26 prisioneiros políticos mais vulneráveis do regime.

Ele afirma que não está tentando derrubar o governo ou buscar maior liberdade de expressão no país.

O governo, no entanto, respondeu que não vai ceder ao que chamou de "chantagem".

O jornal oficial cubano Granma afirmou que a mídia ocidental está "chamando a atenção para uma mentira pré-fabricada" ao reportar o caso.

"Cuba, que já demonstrou muitas vezes seu respeito pela vida e dignidade humana, não vai aceitar pressão ou chantagem", disse o jornal.

Limites

"As leis cubanas impõem limites inaceitáveis aos direitos à liberdade de expressão, associação e assembleia", disse Kerry Howard, vice-diretora para as Américas da Anistia Internacional.

"Cuba precisa desesperadamente de reformas políticas e legais para alinhar o país aos parâmetros internacionais de direitos humanos", afirmou.

"A longa prisão de indivíduos, simplesmente pelo exercício pacífico de seus direitos, é não apenas uma tragédia por si só mas também constitui um obstáculo a outras reformas, inclusive o início do diálogo necessário para o levantamento do embargo americano unilateral contra Cuba."

A AI afirma que algumas leis cubanas são vagas e permitem a prisão de uma pessoa pelo potencial perigo que ela poderia representar no futuro.

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