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Magnata Cartes recupera poder para Partido Colorado no Paraguai

O magnata dos negócios Horacio Cartes venceu as eleições presidenciais do Paraguai, no domingo, reconduzindo seu poderoso Partido Colorado, de centro-direita, ao poder após o breve governo de esquerda ter acabado em impeachment no ano passado.

DANIELA DESANTIS E HILARY BURKE, Reuters

22 de abril de 2013 | 08h36

Cartes, um novato político que nunca tinha nem mesmo votado antes de ingressar no Partido Colorado, há quatro anos, ganhou com 46 por cento dos votos, 9 pontos percentuais à frente de Efraín Alegre, do Partido Liberal, que estava no governo.

Milhares de apoiadores do Partido Colorado, vestindo camisas vermelhas e lenços, soaram cornetas e tocaram a tradicional música polca na capital Assunção, comemorando o retorno do partido ao poder após seu reinado de 60 anos ter sido interrompidoo em 2008.

Cartes prometeu reformar o partido, que é famoso pela corrupção. Seu longo período no poder inclui a ditadura do general Alfredo Stroessner, entre 1954 e 1989.

"Minhas pernas tremeram com a ideia da enorme e impressionante responsabilidade de ser presidente de todos os paraguaios", disse Cartes em seu discurso de vitória. "Eu quero que as pessoas que não votaram em nós saibam que vou dedicar todo o meu esforço a ganhar sua confiança".

O ex-presidente Fernando Lugo, um ex-bispo católico de esquerda, ganhou a Presidência do Paraguai em 2008, numa votação que deu esperança de reformas profundas, mas ele foi cassado em junho passado, quando o Partido Liberal abandonou a coalizão governista e, em seguida, assumiu as rédeas do governo.

O Congresso derrubou Lugo depois de o considerar culpado por uma ação de desocupação de terras na qual 17 policiais e camponeses foram mortos.

Países sul-americanos compararam o processo de impeachment em apenas dois dias a um golpe, e impuseram sanções diplomáticas ao Paraguai.

CONTRARIANDO TENDÊNCIA

Quase 40 por cento da população de 6,6 milhões de paraguaios é pobre. O país, que não possui litoral, depende das exportações de soja e carne bovina, mas também é famoso pelo comércio de contrabando e esquemas ilícitos de financiamento.

Cartes tomará posse em agosto para um mandato de cinco anos. Sua eleição contraria a tendência na América do Sul, onde os candidatos de esquerda têm tido ganhos constantes nos últimos anos. Só a Colômbia e o Chile são governados por conservadores.

Um dos homens mais ricos do Paraguai, Cartes fez fortuna nos setores financeiros e de tabaco. Rivais tentaram ligá-lo ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, mas ele nunca foi acusado de tais crimes e nega qualquer irregularidade.

Cartes prometeu realizar uma reforma agrária e quer atrair até 2,7 bilhões de dólares em capital privado para reformar os aeroportos do Paraguai e construir novas rodovias.

Ele disse no domingo já ter começado a trabalhar para reparar os laços com o Mercosul, que suspendeu o Paraguai após o impeachment de Lugo e incluiu a socialista Venezuela, embora essa inclusão não tenha sido aprovada pelo Congresso do Paraguai.

Cartes também prometeu pôr fim ao nepotismo no Partido Colorado e modernizar a burocracia estatal inchada do Paraguai, que emprega cerca de 10 por cento de todos os trabalhadores.

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