Magnata chileno busca votos que ficaram pelo caminho no 1o turno

O magnata Sebastián Piñera, candidato da oposição que ficou em primeiro lugar na eleição presidencial de domingo no Chile, disse nesta segunda-feira que buscará os votos que ficaram pelo caminho para disputar o acirrado 2o turno contra o candidato governista Eduardo Frei.

GABRIELA DONOSO E RODRIGO MARTÍNEZ, REUTERS

14 de dezembro de 2009 | 12h04

Piñera, de 60 anos e dono de uma fortuna de 1 bilhão de dólares, segundo a revista Forbes, obteve 44,03 por cento dos votos, depois de apuradas 98,3 por cento das urnas. O candidato da oposição direitista está assim em boas condições de vencer o 2o turno, em 17 de janeiro, e pôr fim a quase 20 anos de governos de centro-esquerda da coalizão chamada Concertação.

O ex-presidente Frei não conseguiu capitalizar a popularidade da atual governante, Michelle Bachelet, e ficou com 29,62 por cento dos votos.

Piñera disse que a votação que obteve superou suas expectativas, e lançou um aceno aos eleitores do candidato independente Marco Enríquez-Ominami, terceiro colocado, com 20,12 por cento dos votos.

"Ninguém é dono dos cidadãos, nem dos votos e, portanto... os que querem a mudança sabem muito bem que em nosso projeto e nossa campanha está a verdadeira mudança", disse Piñera ao canal TVN.

Analistas preveem que a maior parte dos votos dados a Enríquez-Ominami passará a Frei, e que uma parcela menor será dada a Piñera, o que torna o segundo turno imprevisível. Alertam também que o eleitorado do candidato independente está em geral frustrado com a política, e por isso pode se abster no segundo turno.

"O segundo turno não é um simples trâmite, é extraordinariamente difícil projetar, sobretudo porque a equipe de Frei não tinha um plano B frente a isso", disse Carlos Huneeus, diretor do instituto Cerc, cujas previsões antes do pleito se aproximaram dos resultados reais.

"O dilema de Frei é bem complexo. Se Frei comer à esquerda, pode perder votos centristas que poderiam ser mais próximos de Piñera", acrescentou.

Piñera, dono da companhia aérea LAN e acionista do popular clube de futebol Colo Colo, é candidato pela segunda vez. Analistas dizem que sua eleição não alterará a política econômica de abertura que fez do Chile um modelo de estabilidade.

Ele se beneficia eleitoralmente do desgaste do governo da Concertação e de divisões entre seus líderes, entre eles Enríquez-Ominami.

Tentando colocar no mesmo barco os eleitores da Concertação, de Enríquez-Ominami e do comunista Jorge Arrate, que teve cerca de 7 por cento dos votos, Frei afirmou que "a maioria nos disse que se identifica com as ideias progressistas e democráticas, e escolheu esta opção para representar todas essas ideias em janeiro", disse Frei a seguidores na noite de domingo. "Arrate e Enríquez-Ominami expressaram valores que compartilhamos e temos de somar."

Arrate defendeu uma união de forças contra a direita, enquanto Enríquez-Ominami não se comprometeu com nenhum dos candidatos do segundo turno.

Na eleição parlamentar -- com renovação de toda a Câmara e parte do Senado -- foi mantido o atual equilíbrio entre direita e esquerda, mas a novidade será a entrada de três parlamentares comunistas, pela primeira vez em 37 anos.

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