Magnata lidera eleição no Chile,luta contra fantasma de Pinochet

Um bilionário conservador tem uma leve liderança na eleição presidencial do Chile deste domingo, enquanto tenta por um fim a 20 anos de governo de centro-esquerda, mas antes ele precisa lutar contra o fantasma do ex-ditador Augusto Pinochet.

SIMON GARDNER, REUTERS

17 de janeiro de 2010 | 11h16

O magnata da aviação Sebastián Piñera é tido como o favorito para vencer Eduardo Frei, ex-presidente do bloco de esquerda que governa o maior produtor de cobre do mundo desde o fim da ditadura de Pinochet (1973-1990).

Uma vitória desse economista formado em Harvard marcaria uma mudança para a direita em uma região dominada por governantes de esquerda, da Venezuela à Argentina, embora ninguém espere nenhuma grande mudança na política econômica.

Muitos chilenos estão desencantados com a coalizão "Concertación" de centro-esquerda, e dizem que o governo poderia ter feito melhor uso dos bilhões de dólares do boom do cobre.

Chilenos do país todo começaram a chegar aos locais de votação às 7h (horário local).

"Frei já esteve no poder e não fez muito", disse Adriana Contreras, uma dona-de-casa de 44 anos na capital Santiago. "Votei por Piñera para ter a mudança de que precisamos."

Uma pesquisa da MORI na quarta-feira mostrou Piñera com 50,9 por cento das intenções de votos, contra 49,1 por cento para Frei, dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais.

Piñera, que está na 701a posição na lista Forbes das pessoas mais ricas do mundo, obteve 44 por cento no primeiro turno em 13 de dezembro, enquanto Frei ficou com 29,6 por cento. Essa foi a primeira vez que a direita ganhou da esquerda numa votação presidencial desde que o Chile voltou à democracia em 1990.

Com a disputa apertada, tanto Frei quanto Piñera tentam atrair os votos dos independentes que dividiram a esquerda, ficando em terceiro lugar e não passando para o segundo turno.

O ex-produtor de cinema Marco Enriquez-Ominami finalmente deu a Frei seu apoio na quarta-feira, e isso pode se tornar um fator na disputa, embora analistas digam que foi feito um pouco tarde demais.

Piñera, 60, que fez fortuna introduzindo cartões de crédito no Chile e tem parte da empresa aérea LAN, tenta se distanciar do legado sanguinolento de Pinochet -- quando mais de 3 mil pessoas foram assassinadas ou "desapareceram" e cerca de 28 mil foram torturadas -- para atrair o voto da classe média.

Um de seus irmãos foi ministro de Pinochet, um de seus assessores trabalhou para a ditadura e ele teve que se defender quando Frei descreveu a direita como herdeira do ditador. Alguns analistas acham que o fator Pinochet pode levar votos para Frei.

Piñera prometeu dar às empresas estatais chilenas um incentivo para melhorar a sua eficiência, prometendo criar um milhão de empregos e incentivar o crescimento econômico em uma média de 6 por cento por ano depois de uma contração em 2009 na primeira recessão desde a crise asiática, há uma década.

Enquanto isso, Frei, cuja presidência de 1994 a 2000 foi abalada pela recessão, promete continuar com as políticas populares de bem estar social da presidente Michelle Bachelet e afirma que suas prioridades incluem uma reforma trabalhista.

Ele também adotou uma série de políticas do esquerdista Enriquez-Ominami, prometendo reformular o sistema tributário e aumentar a receita gerada por royalties de mineração.

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