Maioria dos governadores aceita referendo revogatório na Bolívia

A maioria dos governadores bolivianosaceitou na quinta-feira se submeter ao referendo revogatório deseus mandatos proposto pelo presidente Evo Morales, emboravários deles tenham imposto condições que vão contra os planosoficiais. Quatro governadores oposicionistas e três governistasresponderam afirmativamente ao desafio lançado por Morales, eoutros dois, entre eles Rubén Costas, da poderosa província deSanta Cruz, não se manifestaram oficialmente sobre o tema. Na quarta-feira, Morales propôs que ele próprio e os novegovernadores do país se submetam a um referendo revogatório deseus mandatos para pôr fim às intensas disputas políticas emtorno da Assembléia Constituinte do país, dominada porgovernistas. "Se o povo disser 'vá embora Evo', não tenho nenhumproblema, sou o mais democrata. O povo dirá quem sai e quemfica para garantir esse processo de mudança", disse opresidente ao propor o referendo. Os governadores oposicionistas Manfred Reyes Villa, deCochabamba; José Luis Paredes, de La Paz; Mario Cossío, deTarija; e Leopoldo Fernández, de Pando, aplaudiram a iniciativapresidencial, mas exigiram que os trabalhos da Constituintesejam paralisados antes do referendo. "Não se pode realizar um referendo revogatório ao mesmotempo em que um projeto constitucional que divide o paísavança", disse Reyes Villa a um programa de rádio.Por sua vez, Cossío pediu que, antes do referendo, Moralesdeixe sem efeito uma recém-criada pensão para idosos que,segundo o governo, entrará em vigor em janeiro e seráfinanciada tanto pelo governo federal quanto pelos regionais. Os governadores de oposição consideram esse projeto um"confisco" dos recursos de suas regiões. Os governadores governistas aceitaram as condiçõespropostas por Morales. (Por Carlos Alberto Quiroga)

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