Maioria dos voos com drogas sai da Venezuela, diz colombiano

A maioria dos voos ilegais a serviço do narcotráfico com destino aos Estados Unidos e à América Central sai da Venezuela, denunciou nesta sexta-feira o ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, abrindo um novo campo de polêmica com o país vizinho.

REUTERS

23 de outubro de 2009 | 20h16

As declarações de Silva podem reativar o debate sobre a questão entre os dois países, envolvidos em uma crise diplomática que começou a afetar o comércio bilateral.

"O número de carregamentos detectados saindo da Colômbia atualmente é bastante marginal. Infelizmente, a maioria dos carregamentos detectados, que terminam na região de Honduras, como ficou confirmado com esse avião que chegou lá, passa por território venezuelano", disse Silva a jornalistas.

O ministro se referiu a uma denúncia do governo de facto de Honduras sobre o pouso de um avião cargueiro venezuelano repleto de drogas, no começo desta semana.

"O nosso esforço conseguiu reduzir de maneira significativa o tráfico de drogas por via aérea. Hoje o nosso principal desafio é o tráfico por mar, em lanchas rápidas e em semi-submergíveis. Estamos muito preocupados com a possibilidade de que exista um tráfico livre pelo território venezuelano em direção à América Central", acrescentou.

Autoridades dos Estados Unidos sustentam que a Venezuela se converteu em um centro de abastecimento de drogas, que são enviadas por via aérea para a América Central e Estados Unidos, assim como a países da África Ocidental, antes de serem transportadas para a Europa.

O governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o mais forte crítico dos EUA na região, acusou recentemente a agência de inteligência da Colômbia de ser um cartel das drogas e de estar implicada em planos para permitir a passagem de cocaína a seu país para depois ser exportada ilegalmente, sem cumplicidade de seu governo.

Chávez anunciou em setembro que estudava derrubar os aviões do narcotráfico que atravessam o espaço aéreo da Venezuela, depois que os Estados Unidos acusaram seu governo de não fazer o suficiente para combater o tráfico.

A crise diplomática entre Colômbia e Venezuela teve origem na decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de firmar um acordo que permite a militares dos Estados Unidos usarem sete instalações das Forças Armadas do país para combater o narcotráfico e o terrorismo.

Chávez argumenta que os EUA planejam usar as bases colombianas para executar um plano para invadir a Venezuela e bloquear a revolução bolivariana que realiza em favor dos mais pobres.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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