Mais de 5 mil pessoas aguardam viagem em aeroporto argentino

No aeroporto de Ezeiza, passageiros depredaram guichês da Aerolíneas e provocaram fuga de funcionários

Ariel Palacios, da Agência Estado,

13 de janeiro de 2008 | 13h55

Mais de 5 mil passageiros estão desde a noite de sábado, 12, no Aeroporto Internacional de Ezeiza, nos arredores de Buenos Aires, sem poder pegar seus vôos. Das 5 mil pessoas, 2 mil estão esperando desde a sexta-feira, 11, sem explicações ou previsões por parte da companhia que iniciou a confusão, a Aerolíneas Argentinas, empresa de capital espanhol. O hall do aeroporto transformou-se em um cenário de caos, já que os irritados passageiros depredaram os guichês da Aerolíneas e provocaram uma fuga de funcionários da empresa.   A confusão começou na sexta-feira quando um grupo de 60 colombianos, furiosos pelo cancelamento do vôo da Aerolíneas para Bogotá, decidiram fazer um piquete. "Se nós não podemos viajar, mais ninguém viaja", alegavam, impedindo a passagem dos passageiros de todas as companhias aéreas. A irritação entre os dois grupos de passageiros rapidamente foi redirecionada contra os funcionários da Aerolíneas, que até então não haviam prestado explicações sobre os atrasos e suspensões dos vôos.   Uma funcionária da Aerolíneas foi agredida e um grupo de pessoas também destroçou as vitrines dos guichês da empresa. Os funcionários imediatamente fugiram dos escritórios da empresa. Na seqüência, os pilotos da companhia, alegando falta de segurança, anunciaram uma greve. Eles foram imitados pelos transportadores de bagagens, que aproveitaram a ocasião para paralisar suas atividades exigindo aumentos salariais.    Roleta Russa   A Aerolíneas Argentinas, desde que foi privatizada nos anos 90, vive mergulhada em constantes crises financeiras. O cenário agravou-se nos últimos anos, quando predominaram os conflitos sindicais.   Nos últimos anos, viajar pela Aerolíneas transformou-se em uma roleta russa, na qual nunca é possível saber se o avião partirá por causa de conflitos sindicais, se a bagagem chegará no destino sem ser roubada, ou se os vôos serão cancelados sem nenhuma explicação oficial.   Para complicar, o principal aeroporto da Argentina, o de Ezeiza, transformou-se em uma ratoeira nos últimos meses. Além dos atrasos, a denominada "máfia do aeroporto" rouba impunemente objetos das bagagens dos passageiros. Na semana passada, as malas de pelo menos 30 passageiros do vôo 8648 da Varig foram alvo de roubos.   Diversos passageiros paralisados neste sábado, segundo apurou a Agência Estado, estavam avaliando desistir de partir de Ezeiza - resignar-se a perder o dinheiro da passagem - e optar por atravessar o rio da Prata em ferry boat, para tentar pegar um vôo na capital uruguaia, Montevidéu, onde o aeroporto funciona normalmente.

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