Mais de mil soldados tentam conter caos no sul do Peru

Presidente Alan García diz que país vai entrar em ordem, ''custe o que custar''.

Michelle Marinho, BBC

18 de agosto de 2007 | 20h48

Mais de mil soldados do Exército chegaram à região sul do Peru, a mais atingida pelo terremoto desta quarta-feira, para evitar os atos de vandalismo que ocorrem há duas madrugadas. Preocupado com a situação caótica do país, o presidente Alan García, que está em Pisco, anunciou que vai impor ordem nas regiões atingidas, "custe o que custar". Outros mil policiais estão trabalhando para evitar a desorganização na hora da distribuição de alimentos e água. Alan García informou que pelo menos 80 mil pessoas perderam membros da família ou tiveram suas casas destruídas ou danificadas. Mais de quinhentos corpos foram recuperados até o momento. O presidente peruano também disse que a ajuda aos desabrigados está começando a ser regularizada e pediu à população que não entre em desespero. Até agora, o fornecimento de energia elétrica só foi restabelecido em um quinto da cidade de Ica, uma das mais atingidas. O resto continua na escuridão. "A madrugada foi terrível aqui. Um grupo de 50 pessoas armadas circulava pela cidade, assustando a população. Houve tiroteio. Não há segurança na cidade", comentou o colombiano Jair Naranjo, que estava passando férias na região. Com medo de atos de vandalismo, muitas pessoas estão voltando para as suas casas para guardar os poucos objetos de valor que ainda existem. A Defesa Civil pediu que os moradores não voltem antes de uma vistoria técnica porque a maioria das construções sofreu danos estruturais e pode cair com os tremores secundários que são registrados há três dias. Apesar de o governo estar temporariamente instalado em Pisco, muita gente também reclama do atraso na chegada de ajuda à cidade. O médico peruano Carlos Squizato trabalha na região, mas estava em Lima quando aconteceu o terremoto. "Eu tinha uma clínica na cidade. Soube hoje que ela já não existe. Tenho amigos e pacientes por lá. Alguns estão mortos. Outros estão sem comer. É uma tragédia e a ajuda demora demais", desabafou. Os moradores da região sul também reclamam das companhias de ônibus, dizendo que as empresas aumentaram excessivamente o preço das passagens para Ica, Pisco, Chincha e Cañete. Só hoje a cidade de Mala, que fica a 85 quilômetros de Lima, voltou a ter luz. Na rodovia Panamericana, que liga Lima a Mala, dezenas de carros particulares e caminhões de ONGs levavam garrafas de água, pilhas de cobertores e alimentos não perecíveis. Na estrada, que também passa por Pisco, a cidade mais atingida pelo terremoto, o pedágio não é cobrado, num esforço para facilitar o envio de donativos. Os supermercados de Lima decidiram aumentar o estoque de água e comidas enlatadas devido à grande procura por estes produtos. Em cada esquina, há grupos de organizações de ajuda humanitária para receber os donativos. Em Pisco, as equipes de resgate concentram os trabalhos na região onde havia um hotel. Entre os escombros, eles resgataram seis corpos, que ainda não foram identificados. Apesar da pouca esperança de encontrar sobreviventes, os bombeiros conseguiram resgatar com vida o padre que rezava a missa quando uma igreja da cidade de Ica desabou. Mais de 120 corpos foram retirados do local. Três dias depois do terremoto que abalou o país, começam os primeiros cálculos sobre os prejuízos. O prefeito da cidade de Chincha, José Navarro Grau, disse que a recuperação total da cidade, destruída pelos tremores, vai demorar seis anos e que os gastos para reconstruir as casas que desabaram serão de mais de US$ 100 milhões. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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