Mais dois presos políticos cubanos embarcarão à Espanha nesta terça

Prisioneiros fazem parte da primeira leva dos 52 que serão libertados por Cuba em até quatro meses

estadão.com.br,

13 de julho de 2010 | 20h09

HAVANA- Dois presos políticos cubanos e seus familiares embarcarão nesta terça-feira, 13, para a Espanha, onde já chegaram outros sete prisioneiros, informou a dissidência e a embaixada espanhola em Cuba, de acordo com a agência de notícias AFP.

 

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Os jornalistas Normando Hernández, de 40 anos, e Omar Rodríguez, de 44, viajarão em um voo comercial que chegará na quarta a Madri, informaram os ex-presos políticos Martha Beatriz e Oscar Espinosa, após receberem uma ligação de um deles.

 

O envio faz parte de um acordo entre o governo de Raúl Castro e a Igreja Católica, pelo qual Cuba libertará todos os 52 presos políticos remanescentes da repressão conhecida como Primavera Negra em um prazo de até quatro meses.

 

Os sete que já estão em Madri e os dois que partirão rumo à capital espanhola nesta terça integram um grupo de 20 destes prisioneiros que aceitaram viver na Espanha e viajarão ao país em breve. Assim, ainda restarão 11 prisioneiros desta primeira leva a serem libertados.

 

A chancelaria espanhola já havia adiantado em Madri que quatro libertados chegariam entre quarta e quinta. Deste modo, espera-se que outros dois partam rumo ao país europeu amanhã.

 

Os primeiros sete dos 20 presos políticos que aceitaram o exílio desembarcaram nesta terça em Madri em voos comerciais das linhas Air Europa e Iberia.

 

Em Madri eles não terão status de exilados, mas de imigrantes comuns, segundo explica o Ministério das Relações Exteriores da Espanha. A medida visa permitir que tanto os ex-prisioneiros como seus familiares possam trabalhar no país.

 

Silêncio

 

As autoridades cubanas e a Igreja Católica mantiveram hoje silêncio absoluto sobre os próximos presos políticos que serão libertados e viajarão para a Espanha.

 

Em meio a anúncios das viagens em Madri, em Cuba, da mesma forma que na segunda-feira, é mantido um silêncio oficial absoluto sobre os detalhes das mudanças dos dissidentes e de suas famílias.

 

Fontes do Ministério de Exteriores espanhol disseram que, na quinta-feira, outros presos chegarão a Madri, cuja identidade ainda não foi revelada. Ainda não foi totalmente esclarecido o que acontecerá com os presos políticos que quiserem continuar em seu país.

 

Setores da dissidência interna cubana criticaram que estas libertações estejam condicionadas à expatriação, além da forma como elas estão acontecendo, com a transferência dos presos da prisão até o aeroporto de Havana para imediatamente depois tomarem o avião rumo à Espanha.

 

Os presos que voaram na segunda-feira para Madri, depois de sete anos atrás das grades, se reencontraram com suas famílias no aeroporto antes de partir, segundo fontes próximas.

 

Outros opositores, como o economista Oscar Espinosa - que fazia parte do Grupo dos 75 e que foi libertado por motivos de saúde - consideram, no entanto, que as libertações constituem "um importante passo" e confiam em que abrirão as portas para reformas, para que Cuba saia da crise em que está submersa.

 

"Grupos dentro e fora do governo receberam um duro golpe e suas possibilidades de reverter o processo de reconciliação nacional se reduziram consideravelmente", afirmou Espinosa, em um recente artigo.

 

Enquanto os presos e suas famílias aguardam impacientes notícias sobre a libertação e mudança para a Espanha, o assunto mais comentado entre a maioria dos cubanos nesta terça-feira foi a reaparição do líder Fidel Castro na televisão.

 

Seu retorno às telas da televisão estatal e à vida pública cubana foi recebido com surpresa e alegria, pelo "saudável" aspecto do líder cubano, que em 2006 cedeu o poder a seu irmão Raúl devido a uma grave doença.

 

Atualizado às 20h25 para acréscimo de informações

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