Manifestantes aguardam renúncia de primeiro-ministro do Haiti

Capital haitiana e outras cidades estão sob calma aparecente à espera da renúncia de Jacques-Édouard Alexis

Efe,

10 de abril de 2008 | 16h26

A capital haitiana e outras cidades do país estão nesta quinta-feira, 10, sob uma calma aparente, mantida por uma forte presença policial, à espera da renúncia do primeiro-ministro haitiano, Jacques-Édouard Alexis, pedida pelo Senado. A Câmara Alta haitiana aprovou na quarta-feira, 9, à noite em uma sessão extraordinária solicitar a renúncia de Alexis em um prazo de 24 horas, após os violentos protestos registrados nos últimos dias no país devido aos elevados preços dos produtos de consumo em massa. Veja também:País anuncia subsídios para conter protestosEspecial sobre a crise de alimentos Brasil promete enviar 14 toneladas de alimentos ao HaitiO professor Paulo Edgar Almeida Resende opina sobre a crise   A Constituição obriga o primeiro-ministro do país a renunciar se uma das duas Câmaras legislativas retirar seu apoio. Os legisladores informaram à imprensa local que enviarão nesta quinta-feira a carta a Alexis, mas pediram calma à população para realizar o processo. Além disso, indicaram que se o primeiro-ministro não deixar o cargo no prazo estabelecido, será interpelado no sábado, 12. A capital haitiana, Porto Príncipe, se encontra praticamente paralisada nesta quinta e suas ruas exibem vestígios dos confrontos, com barricadas de pneus queimados, pedras, lixos, entre outros objetos. Na cidade não há atividades comerciais nem de transporte e as instituições públicas e as escolas também não abriram. Em um percurso por algumas ruas de Porto Príncipe, a agência Efe percebeu que os postos de gasolina estão fechados, o que provocou escassez de combustível, principalmente do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A situação é semelhante em outras cidades, como Les Cayes, no sul do país, onde moradores advertiram de novas manifestações, apesar do discurso pronunciado quarta-feira pelo presidente haitiano, René Préval, no qual pediu calma em meio à crise vivenciada pela nação devido ao alto custo de vida, em protestos que deixaram cinco mortos. No entanto, as lojas de Les Cayes começaram timidamente a abrir suas portas nesta quinta-feira. Um ambiente tenso também reina na localidade de Carrefour, ao sul da capital e de onde procede o gás comercializado em Porto Príncipe. Algumas pessoas tentaram protestar na cidade, mas foram dispersadas pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Em alguns casos, soldados da Minustah usaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atiraram pedras nos militares da ONU. Nas ruas de Carrefour alguns manifestantes paravam as motocicletas para roubar gás e incendiar pneus. Préval anunciou na quarta-feira um programa de subsídio para a produção local de arroz, leite e ovos, como forma de enfrentar a elevada inflação, a qual foi o estopim das violentas manifestações na última semana. O presidente pediu calma à população, mas não anunciou mudanças no gabinete. Seu discurso não produziu o efeito desejado e os haitianos continuaram os protestos, alegando que o líder não ofereceu medidas imediatas para enfrentar a crise vivenciada pelo país. Préval falou pouco depois que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou os atos de violência registrados no Haiti durante os recentes protestos populares, e pediu que se mantenha a calma.  A porta-voz da ONU, Marie Okabe, disse que Ban enfatizou o apoio da organização e de sua missão no Haiti (Minustah) às autoridades do país na manutenção da ordem pública e na entrega de ajuda humanitária."O secretário-geral lamenta com firmeza os ataques contra as instalações e os funcionários da Minustah, assim como contra o governo do Haiti e a propriedade privada", ressaltou Okabe. O chefe da Minustah, Hédi Annabi, advertiu na terça-feira de que os protestos poderiam destruir todo o progresso obtido no país e que o descontentamento podia ser manipulado com fins políticos.

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