Manifestantes fazem protesto contra autonomia de Santa Cruz

Dias que se seguirão ao referendo serão importantes para determinar como Evo lidará com autonomia

Agências internacionais,

04 de maio de 2008 | 07h54

Simpatizantes do presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciaram na madrugada deste domingo, 4, um bloqueio em San Julian, um dos lugares de votação para o referendo autonomista que acontece no departamento oriental de Santa Cruz. O país está dividido e vive uma profunda crise política, que evidencia o embate entre o governo e a oposição. VEJA MAIS Tensão aumenta na Bolívia em véspera de referendo  OEA rechaça qualquer tentativa de ruptura territorial na Bolívia Entenda o referendo sobre autonomia  Santa Cruz é o departamento mais rico da Bolívia e votará em referendo a aprovação de um estatuto que daria autonomia diante do governo nacional de Evo Morales. Diversas pesquisas antecipam a vitória do "sim" ao estatuto, promovido por autoridades de ideologia conservadora, líderes cívicos e organizações empresariais da região. Os seguidores de Morales pregam o boicote à consulta. Analistas disseram que as horas e dias que se seguirão ao referendo serão muito importantes para determinar se Morales, que classificou o estatuto como ilegal e separatista, será capaz de brecar a demanda de autonomia ou se pelo menos três outros departamentos seguirão os passos de Santa Cruz. Alguns políticos acreditam que ele esteja encurralado por seus adversários, mas o presidente boliviano, Evo Morales, está disposto a lutar por mais "500 anos" contra os autonomistas de Santa Cruz se eles implantarem por meio da força o seu estatuto de governo autônomo depois do referendo. Milhares de crucenhos vão às urnas no domingo para decidir se aprovam o estatuto autonômico, espécie de Constituição local que dará a Santa Cruz mais independência de La Paz em questões tributárias e administrativas. Com o documento aprovado, Santa Cruz poderia reivindicar autonomia para arrecadar impostos, assinar acordos com empresas estrangeiras, outorgar títulos de propriedade de terras e definir políticas nas áreas de educação e segurança, incorporando 43 atribuições atualmente do governo central. Segundo pesquisas, mais de 70% da população deve apoiar o projeto, mas a Corte Nacional Eleitoral e o governo não reconhecem o estatuto e insistem que a votação é ilegal. Movimentos populares ligados ao governo boliviano ameaçaram impedir o referendo que Santa Cruz, o departamento (Estado) mais rico do país, realiza sobre seu estatuto de autonomia. "Vamos queimar urnas e bloquear a votação nos lugares em que temos força", disse ao Estado Fidel Surco, presidente da Confederação Sindical de Colonizadores da Bolívia, entidade aliada ao partido governista, o Movimento ao Socialismo (MAS). "As elites econômicas e políticas de Santa Cruz querem dividir o país, mas não deixaremos." Segundo Surco, a resistência ocorrerá a partir de "quartéis de resistência" instalados com respaldo do MAS em pelo menos quatro pontos da região. Um deles será o bairro Plano Três Mil, reduto do partido governista na periferia da capital do departamento, Santa Cruz de La Sierra, onde é grande a população de migrantes de outras regiões do país. Os outros são as localidades de San Julián, Yapacaní e Quatro Camadas. "Se o governo local insistir em enviar urnas e delegados para esses locais, deve ter consciência de que será o responsável pelos confrontos", ameaçou. No início da semana, os planos para uma grande passeata dos movimentos sociais pró-Evo até Santa Cruz foram suspensos a pedido do presidente, que disse querer evitar confrontos com a oposição. A verdade, porém, é que a nova estratégia do MAS ainda deixa aberta essa possibilidade. Fernando Castedo, porta-voz da Corte Eleitoral Departamental de Santa Cruz, admitiu que os protestos e ações programados pelos movimentos governistas podem prejudicar a votação. Há também o risco de confrontos com integrantes da União Juvenil Crucenha, organização ligada ao Comitê Cívico de Santa Cruz que promete reunir milhares de jovens para fazer a segurança da votação. Responsável por 30% do PIB da Bolívia e 72% da produção agrícola do país, Santa Cruz é o principal reduto da oposição regional a Evo. A demanda por mais autonomia é histórica, mas os dirigentes locais resolveram aprovar unilateralmente o estatuto autonômico depois que deputados governistas da Assembléia Constituinte aprovaram, em novembro, uma nova Constituição para o país numa votação sem a oposição. (Com Ruth Costas, de O Estado de S. Paulo)

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