Manifestantes peruanos fecham aeroporto após choques com mortes

Milhares de pessoas contrárias a projetos de mineração e energia no sul do Peru tomaram um aeroporto comercial na região de Puno, neste sábado, disseram autoridades, enquanto o governo tentava restabelecer a calma um dia depois de cinco pessoas terem morrido em confronto com a polícia na mesma área.

TERRY WADE, REUTERS

25 de junho de 2011 | 17h12

O chefe policial Herbert Rosas declarou à Reuters que cerca de 3 mil manifestantes ocuparam a pista do aeroporto de Juliaca, em Puno, e centenas de policiais recuaram para evitar novo confronto.

O presidente Alan García, que deixará o poder em 28 de julho, disse que os manifestantes, na maioria indígenas, estavam fazendo uma demonstração de força para conquistar uma fatia de poder no governo de Ollanta Humala, que o sucederá na Presidência. A gestão de García tem sido marcada por conflitos sobre os recursos naturais, que resultaram na morte de cerca de cem pessoas nos últimos três anos.

"Há obscuros interesses políticos aqui, exigindo poder", disse García a repórteres. "O que eles estão tentando fazer é pressionar o próximo governo, de Ollanta Humala, por meio de ameaças e demonstrações de força", afirmou o presidente, sem entrar em detalhes.

Humala, um esquerdista e ex-oficial do Exército, prometeu durante a campanha eleitoral pôr fim aos árduos conflitos que opõem pobres cidades de regiões de extração de recursos naturais a empresas petrolíferas e de mineração. Ele se comprometeu a governar com moderação, mas sua tradicional base de apoio está nas províncias pobres do sul do Peru.

Os manifestantes costumam se mobilizar para proteger escassas fontes de água, que consideram ser parte de sua terra ancestral, ou protestar contra a poluição que as novas minas causariam.

Eles também, com frequência, reivindicam benefícios econômicos diretos de projetos de petróleo e mineração, os quais contribuíram para tornar o Peru um dos países de mais rápido crescimento no mundo, mas ainda com um terço de sua população na pobreza.

LICENÇA REVOGADA

Na sexta-feira, horas depois do violento confronto no aeroporto, o gabinete de García revogou a licença da companhia canadense de mineração Bear Creek, num esforço para convencer os moradores da região a encerrarem os protestos que se estendem há mais de um mês.

O executivo-chefe da Bear Creek, Andrew Swarthout, disse à Reuters que a empresa vai processar o governo para retomar sua concessão e analistas do setor de mineração dizem que a decisão de García poderá levar as firmas estrangeiras a concluírem que os contratos não são respeitados no Peru.

Mas García afirmou que a paz e a estabilidade social são mais importantes. Nos dias que precederam o confronto no aeroporto - na primeira vez que os protestos na área se tornaram violentos - os manifestantes haviam colocado fogo em prédios governamentais.

"Acho que há objetivos mais importantes e o primeiro deles é garantir uma transição pacífica e um início sem problemas para o governo de Ollanta Humala", disse García a repórteres.

Cerca de 5 mil manifestantes, na maioria índios aimará, foram a Puno nas últimas semanas para reivindicar a revogação das concessões dadas a todas as companhias de mineração, não apenas o projeto Santa Ana, da Bear Creek, alegando preocupações sobre a potencial poluição ambiental.

(Reportagem de Terry Wade e Enrique Mandujano em Lima e Julie Gordon em Toronto)

Tudo o que sabemos sobre:
PERUPROTESTOSMINERADORAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.