Manifestantes pró e contra Zelaya saem às ruas de Tegucigalpa

Autoridades revogaram toque de recolher; presidente deposto de Honduras segue na embaixada brasileira

Reuters,

24 de setembro de 2009 | 16h07

Manifestação contra o retorno de Zelaya em Tegucigalpa. Foto: Efe

 

TEGUCIGALPA - Partidários e detratores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, saíram às ruas de Tegucigalpa nesta quinta-feira, 24, numa queda de braço em torno do dirigente refugiado na embaixada do Brasil e ainda cercado por militares.

 

Os partidários de Zelaya disseram que vão guardar distância da embaixada, à qual tentaram chegar numa marcha que envolveu uma multidão, na quarta-feira, mas que foi dispersa pelas forças de segurança com gás lacrimogêneo. Não está claro onde terá lugar a manifestação desta quinta-feira.

 

Os enfrentamentos entre os seguidores do presidente deposto e a polícia deixaram esta semana uma pessoa morta, dezenas de feridos e vários detidos. Apesar disso, o governo interino, liderado por Roberto Micheletti, revogou desde a manhã da quinta o toque de recolher que vigorava havia dois dias.

 

Depois de três meses de exílio forçado e de ter sido afastado sob a mira de armas, Zelaya retornou discretamente a Tegucigalpa na segunda-feira, burlando as defesas do governo para tentar retornar ao poder. O líder deposto refugiou-se na embaixada brasileira, desafiando as ordem de prisão emitida contra ele pelo governo de Micheletti.

 

O líder da Frente Nacional de Resistência, Juan Barahona, disse que o órgão teme uma eventual invasão da Polícia na embaixada para prender Zelaya aproveitando os distúrbios. "Temos medo de uma invasão. Deste regime ilegal se pode esperar qualquer coisa. Hoje a resistência está nos bairros, tomando conta de ruas e avenidas", disse o dirigente.

 

Testemunhas disseram que durante a noite batalhões de soldados passaram em frente à embaixada e percorreram as redondezas, alguns deles cantando cantos bélicos. Refletores foram colocados em casas vizinhas, apontados para a representação diplomática, e também alto-falantes dos quais saía música tropical e, em alguns momentos, o hino nacional.

 

Afastado do poder em 28 de junho, Zelaya acusou o governo "de facto" de planejar invadir a embaixada e assassiná-lo, embora as autoridades interinas o neguem. "Estamos sendo ameaçados de morte," disse Zelaya em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal The Miami Herald. "Prefiro andar em pé a viver de joelhos diante de uma ditadura militar," acrescentou.

 

O governo interino disse estar disposto a receber uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para dialogar com Zelaya, mas se nega terminantemente a devolver o poder.

 

Apoio

 

Os partidários do governo golpista também pretendem realizar um protesto diante da sede das Nações Unidas, em cuja Assembleia Geral vários países pediram na quarta-feira o retorno de Zelaya ao poder. Desde o encontro, o Brasil pediu um estado de alerta em relação à situação de sua embaixada.

 

"A comunidade internacional exige que o sr. Zelaya volte imediatamente à Presidência de seu país e deve estar alerta para assegurar a inviolabilidade da missão diplomática do Brasil na capital de Honduras," disse o presidente Lula, arrancando aplausos dos outros líderes de governo.

 

O afastamento de Zelaya, que teve o apoio de boa parte da classe política, do empresariado, da Justiça, do Congresso e até da Igreja Católica, ocorreu horas antes de ser realizado um referendo que abriria caminho para a reeleição presidencial.

 

Policiais e militares patrulharam até a madrugada as ruas de Tegucigalpa, cidade de 1,3 milhão de habitantes que se converteu em cidade fantasma.

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