Marcha indígena começa com a morte de dois na Colômbia

Grupo que exige terras do governo diz que vítimas foram mortas a tiros; polícia responsabiliza artefato artesanal

Agências internacionais,

22 de outubro de 2008 | 09h32

A marcha liderada pelos indígenas colombianos que começou na terça-feira, 21, pela posse da terra tomada de seus ancestrais e denunciando os assassinatos de membros da comunidade nos últimos anos, foi marcada pela morte de duas pessoas. Segundo a polícia, um explosivo artesanal foi o responsável pelo incidente, enquanto os nativos afirmam que as vítimas foram mortas pelos policiais.   As mortes aconteceram na cidade de Villarica, onde deve passar a marcha de cerca de 10 mil indígenas. Segundo a versão do grupo, uns 200 manifestantes desceram as montanhas para integrar a marcha e bloquearam a estrada Pan-Americana, por onde segue o protesto. A polícia antidistúrbio tentou impedir o bloqueio e, no enfrentamento, um indígena e um camponês foram mortos a tiros.   A polícia afirma que não foi responsável pelas mortes. "Não estão claras as circunstância em que as vítimas morreram"", declarou o diretor do esquadrão antidistúrbio, coronel Jorge Cartagena, ao jornal colombiano El Tiempo, que cita testemunhas afirmando que houve a explosão de um artefato artesanal. O líder dos manifestantes, Daniel Piñacué, afirmou que cinco pessoas foram feridas, todos vítimas de armas de fogo.   A "Marcha pela dignidade dos povos" começou na terça após o fracasso do diálogo do governo do presidente Álvaro Uribe para o cumprimento de uma velha promessa eleitoral, aponta o El Pais. Desde os anos 1990, o governo colombiano afirma que concederá as terras aos povos indígenas do país. O grupo ainda protesta pela violência contra as comunidades - eles afirmam que desde que Uribe foi eleito em 2002, 1.200 indígenas foram mortos. O governo afirma que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão por trás do protesto.

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