Marco Aurélio diz que Chávez é 'o único canal' com as Farc

Assessor da Presidência destaca que presidente venezuelano, porém, é 'um canal incerto' com os rebeldes

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

17 Abril 2008 | 14h26

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quinta-feira, 17, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é o "único canal" com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "E mesmo assim, um canal incerto", acrescentou Marco Aurélio, ao explicar que a comunicação acaba sendo difícil uma vez que as Farc ficam preocupadas com o rastreamento de telefonemas.  Veja também:Correa diz que incursão das Farc no Equador será ação de guerraPara Farc, morte de Reyes deixa França sem interlocutorSeqüestrador de Ingrid envia pedido de desculpas a SarkozyConheça a trajetória de Ingrid Betancourt Por dentro das Farc Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região   Ele afirmou que a posição do governo brasileiro em relação às Farc é "de não interferência, mas também de não indiferença". "Nós do PT sempre tivemos uma atitude muito crítica em relação às Farc. É uma posição compartilhada pelo presidente Lula", afirmou. "Tenho um profundo repúdio aos métodos que as Farc estão utilizando, como seguidos seqüestros. Tenho repugnância por esse tipo de ações", completou. Na audiência, o assessor especial também falou sobre a corrida armamentista. "A União Européia e o Brasil estão na rabeira. Tiveram suas Forças Armadas sucateadas", argumentou. Segundo ele, o Chile, o Peru e a Colômbia são os países mais armados da região. Marco Aurélio descartou, no entanto, uma guerra da Venezuela com países vizinhos. "Não tem como ter uma guerra na América do Sul unilateral. O país que fizer isso será duramente sancionado pela comunidade sul-americana", disse. Itaipu Para Marco Aurélio, os discursos de candidatos à presidência do Paraguai reivindicando a revisão do tratado da usina de Itaipu fazem parte da campanha eleitoral. "Se algum candidato disser que não vai reivindicar mudanças no tratado de Itaipu já pode ir para casa, já perdeu a eleição", completa.

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