Marido de Betancourt diz que Uribe atrasa negociações

'Uribe busca que tudo permaneça indefinido e não se dá conta que os sequestrados já não aguentam mais'

CLAUDIA GAILLARD, REUTERS

07 de dezembro de 2007 | 19h28

O marido de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana sequestrada há seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acusou nesta sexta-feira, 7, o presidente colombiano Alvaro Uribe de atrasar as negociações para libertar sua mulher e outros reféns.   Veja também: Uribe aceita zona de encontro com as Farc Lula discute mediação com França e Colômbia Agentes franceses contataram Farc na Colômbia Sarkozy pede ajuda de Kirchner com Farc Farc respondem a apelo de Sarkozy por reféns Tensão na América do Sul  Em passagem pela Argentina, Juan Carlos Lecompte conversou com o presidente Néstor Kirchner e a primeira-dama, a recém-eleita Cristina Fernández, e disse que a situação dos reféns na densa selva colombiana é desesperadora. "Uribe busca que tudo permaneça em um status quo indefinido no tempo e não se dá conta que os sequestrados já não aguentam mais, vão morrer", disse Lecompte em entrevista à Reuters em Buenos Aires. Uribe aceitou na sexta-feira a criação de uma zona de encontro no país para negociar diretamente com as Farc uma decisão que pressupõe um avanço nos esforços do governo de Bogotá para buscar a libertação dos reféns. Mas Uribe colocou como condição que seja uma área de 150 quilômetros na zona rural e sem postos militares ou policiais. "Se ele vai aceitar uma zona desmilitarizada, por que não aceita o que pede a guerrilha e saímos disso rapidinho?", questionou Lecompte. A proposta de Uribe surgiu a partir de uma sugestão da Conferência Episcopal Colombiana e da Comissão Nacional de Conciliação, e difere do que pedem as Farc porque não menciona a desmilitarização do território.   Além disso, a guerrilha propõe a criação de tal zona em um área muito maior do que os 150 quilômetros quadrados aceitos por Uribe. Na proposta das Farc, dois municípios com uma população de 150 mil pessoas teriam de ser desmilitarizados, o que equivaleria a 800 quilômetros quadrados. A questão da libertação dos reféns - cerca de 50 considerados seqüestrados políticos e outras 750 pessoas capturadas com finalidade financeira - foi intensificada após a divulgação de imagens mostrando uma debilitada Ingrid Betancourt na selva. Recentemente, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que conta com o apoio da família das vítimas, foi afastado por Uribe da mediação com as Farc.

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