Marido de Betancourt elogia mediação de Chávez e Sarkozy

Lecompte pede que seja descartada a solução militar, que, em sua opinião, levaria à morte dos reféns das Farc

Efe,

26 de setembro de 2007 | 03h19

O marido de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que a mediação dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da França, Nicolas Sarkozy, devolveram-lhe a esperança de que sua esposa seja libertada. "Neste momento, (Sarkozy e Chávez) são os que mais estão trabalhando para que uma negociação tenha início e que possamos ver Ingrid livre", afirmou à agência Efe Juan Carlos Lecompte, que está na França para participar da mobilização organizada por uma ONG. O marido de Ingrid Betancourt, seqüestrada pela guerrilha em fevereiro de 2002, elogiou a mediação de Chávez, e se mostrou convencido de que seu perfil político pode fazer avançar a negociação entre o governo colombiano e as Farc. "Chávez é a pessoa certa para a negociação. É, sem dúvida, o líder da esquerda na América Latina e como, supostamente, a guerrilha que seqüestrou Ingrid é de esquerda, ela o escutará", afirmou Lecompte. Ele agradeceu o envolvimento do presidente venezuelano, que "entrou de cabeça" no problema dos reféns colombianos, tão logo a situação interna de seu país o permitiu. "A reunião prevista para 8 de outubro entre emissários das Farc, Chávez e representantes do governo colombiano é o primeiro passo para abrir as negociações", disse Lecompte. "Até agora falaram através dos meios de comunicação. Agora vão se sentar na mesma mesa. Será uma negociação longa, difícil e tortuosa, mas é uma pequena luz que até agora não tivemos", acrescentou. Ele afirmou ainda que Sarkozy iniciou "uma intermediação muito eficaz", que pretende "flexibilizar as duas partes, que resistem a ceder". "Em cinco meses à frente do Palácio do Eliseu, Sarkozy fez mais do que Jacques Chirac em cinco anos", afirmou. Solução militar Lecompte defendeu a negociação para libertar os reféns, e pediu que seja descartada a solução militar, que, em sua opinião, levaria à morte dos reféns. "O governo colombiano quer solucionar o problema pelo método mais incivilizado que existe", criticou o marido de Ingrid Betancourt, afirmando que "a vida de seres humanos deve estar acima de qualquer consideração política". Ele acusou as Farc de serem "as únicas responsáveis" pela situação de sua mulher. Disse ainda que o grupo deixou de ser a "guerrilha romântica de outros tempos" para se transformar em uma "quadrilha de narcotraficantes", que querem "se aproveitar dos reféns políticos para obter status político". O marido da ex-candidata afirmou que há quatro anos e um mês não recebe nenhuma prova de vida de Ingrid. "É uma situação difícil, mas ao mesmo tempo, sabemos que os reféns que mais se comunicaram com seus familiares acabaram mortos, porque o governo teve mais possibilidades de localizá-los e tentou resgatá-los pela força, o que costuma terminar mal", acrescentou. Lecompte reconheceu que, indiretamente, teve sinais de que sua esposa está viva. O último sinal foi enviado pelo porta-voz das Farc, Raúl Reyes, que em uma mensagem de vídeo afirmou que Ingrid Betancourt estava bem. "Para mim, isso não é uma prova de vida. É impossível que esteja bem após cinco anos e meio de cativeiro, com os rigores da selva, as doenças, dormindo exposta às intempéries, levando uma vida desumana", disse.

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