Médicos dizem que Kirchner terá alta nesta segunda-feira

No sábado à tarde, Kirchner sentiu fortes dores no peito e foi levado a uma clínica

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2010 | 13h47

O ex-presidente Néstor Kirchner - internado na noite se sábado, 11, para realizar uma angioplastia às pressas - terá alta nesta segunda-feira, segundo anunciou, ao meio-dia deste domingo, o porta-voz da presidência da República, Alfredo Scoccimarro, ao ler o comunicado dos médicos da Unidade Médica Presidencial. Para minimizar a internação do ex-presidente, Scoccimarro recorreu a um eufemismo ao afirmar que Kirchner "está iniciando o processo de descomplexização". Segundo ele, Kirchner - considerado o verdadeiro poder no governo da esposa, a presidente Cristina Kirchner - "evolui bem".

 

No sábado à tarde, Kirchner sentiu fortes dores no peito e foi levado a uma clínica no município de Olivos, nas proximidades da residência presidencial, na área norte da Grande Buenos Aires. Mas, devido à gravidade de seu estado, seus médicos decidiram transferi-lo ao hospital Los Arcos, no bairro de Palermo, na capital argentina. Ali, os médicos realizaram uma angioplastia.

 

Esta é a segunda vez, neste ano, em que o ex-presidente sofre problemas coronários. Em fevereiro, foi operado de uma obstrução na carótida. Na ocasião, perante a internação do homem mais poderoso da Argentina, o funcionamento do governo ficou em compasso de espera. Após sua alta, os médicos recomendaram a Kirchner uma drástica redução de sua atividade política. No entanto, o ex-presidente recusou-se a diminuir seu ritmo de trabalho. Nos últimos dois meses, circularam rumores sobre exames médicos feitos de forma secreta por Kirchner e boatos sobre seus problemas de saúde.

 

Neste domingo, o porta-voz tentou afastar eventuais preocupações pelo desempenho político do ex-presidente nos próximos tempos. Para ilustrar o bom estado do ex-presidente, Scoccimarro afirmou que Kirchner assistiu ao jogo de basquete da seleção argentina contra a Espanha, no campeonato mundial na Turquia.

 

Scoccimarro não descartou que Kirchner participe do comício organizado para esta terça-feira, dia 14, no estádio coberto Luna Park, em pleno centro portenho, onde estava previsto que discursaria para milhares de jovens militantes.

 

Centenas de militantes políticos acotovelavam-se desde a madrugada deste domingo nas portas do hospital, na avenida Juan B. Justo, ostentando cartazes com frases de estímulo a Kirchner.

Kirchner, presidente entre 2003 e 2007 é considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa e sucessora, a presidente Cristina Kirchner.

 

O ex-presidente, chamado de "presidente" pelos próprios ministros de sua mulher (ao qual consultam antes de falar com a presidente Cristina), é famoso por concentrar decisões e de não delegar funções.

Kirchner, além de ocupar o posto de deputado federal no Parlamento, é também o presidente do governista partido Justicialista (Peronista). De quebra, ocupa a secretaria-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

 

Há poucas semanas, ministros de sua mulher lançaram informalmente sua candidatura à Presidência da República nas eleições do ano que vem. Brincando, afirmaram que o candidato do governo seria "um pinguim" (apelido do ex-presidente, por suas origens patagônias). Irritada, dias depois, a própria presidente Cristina retrucou: "E por qual motivo não poderia ser uma pinguim-fêmea"?

 

Neste domingo, o ex-embaixador, escritor e colunista político Jorge Assís, ressaltou que, por causa dos problemas de saúde de Kirchner, o governo teria que recorrer a Cristina como candidata presidencial para as eleições de 2011.

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