Medidas dos EUA são 'positivas, mas 'mínimas', diz Fidel

Em novo artigo, ex-presidente cubano elogia Obama e diz que ele não cometerá as mesmas atrocidades de Bush

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 14h54

Em novo artigo publicado nesta terça-feira, 14, o ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de levantar as restrições de visitas de cubano-americanos a Cuba "é positiva, porém mínima", e pediu pelo fim de "muitas outras". Na véspera, Fidel disse que seu país não pede "esmolas" e defendeu o fim do embargo norte-americano à ilha.

 

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No segundo texto consecutivo sobre a medida de Obama, Fidel afirmou que Cuba não deseja "lastimar Obama, mas ele será o presidente durante um ou dois mandatos. Não tem responsabilidade pelo que aconteceu e estou seguro de que não cometerá as atrocidades de Bush. Depois dele, sem dúvida, pode surgir outro igual ou pior que seu antecessor. Os homens passam, os povos permanecem". O líder cubano disse ainda que existem outros problemas gravíssimos, como a mudança climática, "e o atual presidente dos EUA está decidido a cooperar com esse problema vital para a humanidade. Devemos reconhecê-lo."

 

Entre as medidas citadas por Fidel que deveriam ser suspensas está a Lei de Ajuste Cubano, que permite regularizar a situação dos cubanos quando chegam em solo americano, utilizada para "combater a Revolução Cubana". Fidel questiona que a lei não inclua todos os latino-americanos e caribenhos.

 

Além de eliminar as restrições de visitas de cubano-americanos a Cuba e os limites das remessas de recursos à ilha - medidas foram promessa de campanha - empresas de telecomunicações americanas foram autorizadas a prestar serviço aos cubanos e linhas aéreas poderão estudar o estabelecimento de voos diretos para Cuba - hoje, só há voos charters. As ações de Obama servem como um gesto de boa vontade para os países da América Latina, às vésperas da Cúpula das Américas que começa sexta-feira.

 

No primeiro artigo, publicado horas após o anúncio da Casa Branca, Fidel afirmou que Cuba não estava pedindo a mudança por caridade. "Nem uma palavra foi dita sobre o embargo, que é a mais cruel de todas as ações". "As condições são tais que Obama poderia usar seu talento na direção de uma política construtiva que possa encerrar o que já fracassou por quase meio século", afirmou o ex-presidente cubano

 

O embargo à Cuba é um emaranhado de leis que proíbe o comércio com o país latino e sanciona qualquer intercâmbio não autorizado, incluindo viagens culturais, a compra ou a venda de mercadorias e também operações bancárias. "O dano não se mede apenas por seus efeitos econômicos. Constantemente custa vidas humanas e ocasiona sofrimentos dolorosos a nossos cidadãos", prosseguiu Fidel, referindo-se às dificuldades para comprar medicamentos e equipamentos que, ainda que excetuados do embargo, como os alimentos, das sanções terminam sendo mais caros, pelas dificuldades financeiras e legais.

 

Fidel, de 82 anos, delegou o poder ao seu irmão Raúl Castro em julho de 2006, quando o então presidente se afastou para uma cirurgia intestinal de emergência. Mas desde então Fidel manteve sua forte liderança simbólica sobre Cuba e em amplos setores da América Latina. Analistas indicam que Obama poderia estar se preparando, com a divulgação dessas medidas, para os questionamentos de alguns países da região, previstos para a próxima Cúpula das Américas, que ocorrerá de sexta-feira a domingo, em Trinidad e Tobago. Cuba está excluída deste foro desde seu início, nos anos 1990. Porém muitos países latino-americanos pedem que Washington encerre o embargo à Cuba. O presidente Raúl Castro assegurou estar disposto a dialogar com os EUA em termos de igualdade e respeito à soberania.

 

Cubano-americanos

 

Muitos cubano-americanos comemoraram a decisão de Obama de levantar restrições aos familiares para que visitem a ilha e enviem remessas. "Isso é fantástico para mim. Realmente poderei ver a irmã de meu pai. Ela é minha última familiar que vive ali", disse Delsa Bernardo, em Miami. Delsa, de 47 anos, chegou com 5 aos EUA e nunca mais voltou ao país de origem.

 

A mudança anunciada pelos EUA é limitada - as viagens ainda seguem proibidas para os norte-americanos em geral, sendo liberadas apenas para cubano-americanos -, a Casa Branca disse que a decisão busca promover a liberdade pessoal, em uma das poucas nações restantes com governo comunista. As alterações, propostas pela primeira vez durante a campanha presidencial de Obama, marcaram outra distinção importante em comparação com a política externa do ex-presidente George W. Bush.

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