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Menem abre concurso para escolher cabeleireiro

Ex-presidente argentino procura profissional para cabelo enquanto tem bens embargados por corrupção

Ariel Palácios, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2009 | 07h32

Juba outrora, a cabeleira do ex-presidente Carlos Menem (1989-99) atualmente está rala. Por esse motivo, precisa de um exímio coiffeur para recuperar o brilho e presença - pelo menos, parcialmente - que teve no passado. Para isso, o ex-presidente decidiu abrir um concurso para o posto de seu cabeleireiro pessoal.

 

Segundo o jornal portenho Perfil, a competição está na reta final. Após duas árduas provas de tingimento e penteado dos cabelos de Menem - observados atentamente por um dos secretários privados do ex-presidente - restaram cinco candidatos.

 

Em 1989, quando foi eleito presidente, Menem chamou a atenção por suas exóticas costeletas, com as quais pretendia emular seu ídolo histórico, o caudilho Facundo Quiroga (do qual, segundo sua biógrafa Gabriela Cerruti, Menem acreditava ser sua reencarnação). Nos anos seguintes, "El Turco" (O Turco), como era conhecido popularmente, foi reduzindo gradualmente o volume de sua cabeleira. Mas, simultaneamente, incrementou os cuidados dedicados à ela. Com o passar dos anos, o então presidente intensificou a tintura preta de seus cabelos, de forma a esconder suas cãs, que somente apareciam nas suíças.

 

Para cuidar da capilaridade presidencial, Menem colocou o cabeleireiro Tony Cuozzo a seu serviço especial. O então presidente também instalou uma cadeira de cabeleireiro dentro do avião presidencial, on Tango 01. Nos últimos dois anos Menem deixou de lado a tintura preta e optou por tingir seus cabelos de loiro claro. O ex-presidente nega que seja tintura e jura que trata-se da coloração natural de seus cabelos brancos.

 

O vencedor do concurso para cabeleireiro de Menem terá que cumprir certos requisitos, tais como contar com visto para entrar nos EUA (Menem viaja com frequência para os Estados Unidos); disponibilidade para viajar à La Rioja a qualquer hora; e manutenção da cabeleira do ex-presidente duas vezes por semana. O escolhido receberá um salário mensal de 6 mil pesos (US$ 1.600).

 

Embargo

 

Enquanto o ex-presidente e atual senador está atrás de um cabeleireiro, a Justiça decretou um embargo de US$ 54 milhões sobre seus bens. A decisão foi tomada pelo juiz Norberto Oyarbide, que está processando Menem por "administração infiel" na concessão do espaço radioelétrico em 1998.

 

A Justiça considera que o governo Menem não exerceu o controle necessário sobre a concessão, além de ter recebido supostos subornos da empresa francesa Thales, que na época recebeu o controle do espaço radioelétrico. Menem também está sendo processado por suposto encobrimento de pistas do atentado realizado em Buenos Aires em 1994 contra a associação beneficente judaica AMIA. Além disso, está no meio de um julgamento oral e público sobre o suposto contrabando de armas para a Croácia e Equador entre 1991 e 1995.

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