Menem diz que Venezuela está envolvida em escândalo da mala

Após derrota nas eleições, ex-presidente acusa governo Kirchner de ser o "mais corrupto de todos os tempos"

Efe,

22 de agosto de 2007 | 14h45

O ex-presidente da Argentina Carlos Menem afirmou que o governo de Néstor Kirchner é o "mais corrupto de todos os tempos" e acrescentou que não tem dúvidas de que há envolvimento venezuelano nos últimos escândalos de corrupção no país.Em entrevista publicada nesta quarta-feira, 22, pelo jornal chileno El Mercurio, Menem disse que no governo Kirchner, "todos estão imersos em uma grande corrupção"."Este é o governo mais corrupto de todos os tempos da República Argentina. Encabeçado pelo atual presidente e todos os subordinados que estão ao seu redor", ressaltou Menem, que no domingo foi derrotado nas eleições para Governador de La Rioja.O ex-governante argentino (1989-1999) afirmou que é preciso "começar a pedir o julgamento político dos responsáveis por esta situação".Por isso, Menem pediu ao tribunal de disciplina (do Partido Justicialista) a expulsão de Kirchner, de sua esposa e de "todos os que estão em um populismo de esquerda totalmente na contramão do que o povo quer".O ex-presidente argentino disse que não tem dúvidas de que "há envolvimento venezuelano nos últimos escândalos de corrupção" registrados no país."Não é a primeira vez que uma mala com dólares entra no país sem que o dinheiro fosse declarado", afirmou, referindo-se ao executivo da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), Guido Antonini Wilson.No início de agosto, às vésperas de uma viagem oficial do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à Argentina, Wilson tentou entrar em Buenos Aires com uma mala contendo dólares não declarados."E esta mala com dólares veio de onde? Não foi a primeira vez que esta mala com dólares entrou", afirmou Menem, acrescentando que entraram na Argentina outras valises "da empresa (PDVSA) nos últimos 18 vôos"."Muitos deles (os vôos) contratados pela Enarsa (empresa estatal de energia da Argentina). A Enarsa ainda não começou a fazer os trabalhos de prospecção de petróleo e gás, e já está imersa neste ato escandaloso de corrupção", criticou. "Por enquanto, foram US$ 800 mil. Quantas outras malas terão entrado?", questionou.Derrota nas eleiçõesPerguntado sobre sua recente derrota na eleição para o governo de La Rioja, Menem disse que, apesar de ter "feito uma campanha praticamente sem nada", não foi mal.Além disso, o ex-governante argentino afirmou que ainda não decidiu se concorrerá às eleições presidenciais de outubro, o que dependerá do acordo que fizer com o Conselho Superior do Partido Justicialista para apresentar o binômio eleitoral que enfrenta a senadora Cristina Fernández."Ela não está em condições de ser candidata. É uma mulher arrogante, depreciativa", disse o ex-presidente ao Mercurio.

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