Mercosul discute situação de migrantes e integração do México

Participação de mexicanos na cúpula é destaque do encontro que começa na Argentina nesta segunda

Agências internacionais,

30 de junho de 2008 | 12h21

Governantes dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e Estados associados se reúnem entre esta segunda e terça-feira, 1, em San Miguel de Tucumán, na Argentina, para discutir temas como o processo de integração, uma eventual crise de alimentos na região e uma nova lei da União Européia que pode levar à expulsão de milhares de imigrantes ilegais latino-americanos. Segundo fontes diplomáticas argentinas, os presidentes farão um pronunciamento contra a nova política da UE nesse setor.   Veja também:   Líderes do Mercosul vão a cúpula sem consenso sobre Doha   O convite do Uruguai para o México fazer parte do Mercosul deverá ser o acontecimento político de maior importância na cúpula do bloco, enquanto a Venezuela, que aderiu ao bloco em 2005 como integrante plena, ainda aguarda a aprovação para ingressar no pacto. Brasileiros e argentinos devem também discutir detalhes para a eliminação do dólar de suas transações comerciais, que passariam a ser feitas em moedas nacionais. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deve chegar à cidade às 19h30, pouco antes do banquete de boas-vindas que Cristina oferecerá aos chefes de Estado.   O convite ao México foi elaborado pelo presidente uruguaio Tabaré Vázquez, durante sua recente visita à Cidade do México, em uma viagem na qual esteve também em Cuba e no Panamá. Segundo Vázquez, o presidente mexicano Felipe Calderón ficou "muito interessado" com o possível ingresso do seu país no bloco criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, que resultou, passados 17 anos, em uma reunião aduaneira imperfeita, por causa das constantes exceções à Tarifa Externa Comum (TEC).   Os países fundadores, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, aceitaram em dezembro de 2005 a adesão da Venezuela ao bloco, depois do governo venezuelano ter informado que se desligava da Comunidade Andina de Nações (CAN), mas após mais de dois anos, o ingresso da Venezuela ainda não foi aprovado pelos Parlamentos do Brasil e do Paraguai. Embora não integre o bloco como sócia plena, a Venezuela participa das cúpulas e do Parlamento do Mercosul, que tem 18 legisladores por país, mas sem direito a voto.   Segundo o presidente do Uruguai, o México acredita que "seria particularmente importante," para o bloco do sul a sua adesão. Ele acredita que a proposta uruguaia para ingresso do México poderá dar parte da resposta ao problema das "assimetrias tão grandes que existem na região. O bloco se equilibraria com a entrada de países economicamente mais fortes que o Uruguai e o Paraguai. A integração do México ao Mercosul seria particularmente importante". Para o Uruguai, atualmente o Mercosul não vai bem e existem várias dificuldades comerciais no intercâmbio.   Temor de protestos   A presidente Cristina Kirchner chega em San Miguel de Tucumán nesta segunda-feira para comandar o encontro. A cidade - conhecida como "O Jardim da República" - está "blindada" pelas forças de segurança para evitar eventuais protestos populares contra a presidente, cuja imagem despencou de 56% em janeiro para 20% em junho. Cristina está com graves problemas para aparecer em público fora dos municípios da Grande Buenos Aires, onde está seu reduto eleitoral.   Centenas de policiais isolaram o centro da pacata Tucumán para evitar hipotéticos distúrbios. No total, 300 integrantes da Polícia Federal vigiarão a área, além de 3 mil policiais provinciais e um contingente de homens da Gendarmeria (corpo especializado em dissolver manifestações). Os mendigos foram removidos do centro, para não causar má imagem entre os visitantes (Tucumán é uma das províncias mais pobres do país, com elevados índices de desnutrição infantil).   "A escolha deste cidade foi política", explicaram diplomatas do Mercosul, que reclamaram da decisão de realizar uma cúpula em um lugar com pouca infra-estrutura para o evento. Por causa do pequeno número de hotéis, vários participantes da cúpula tiveram que ser alojados em cidades nas redondezas.   Incidentes pitorescos   A cúpula será cenário das mais pitorescas atividades. O presidente boliviano Evo Morales, que protagoniza há meses uma cruzada a favor dos jogos em elevadas altitudes (a FIFA pretende proibir os jogos em lugares como a cidade de La Paz, capital da Bolívia, por causa da altura), será a estrela de um jogo de futebol dentro do contexto da "Festa Internacional da Empanada". O evento será realizado na cidade de Famaillá, a 30 quilômetros de Tucumán.   O presidente venezuelano Hugo Chávez, antes mesmo de desembarcar, já deixou sua marca na cidade. Seus assessores, ao ver que o salão do Hotel Catalinas (sede da cúpula presidencial) onde Chávez se reunirá com seus colegas do Mercosul chamava-se "Salão Império", exigiram que sua denominação fosse modificada, já que recordava o "imperialismo ianque". Desta forma, o nome foi modificado para "Salão General San Martín", em referência ao herói militar argentino, colega do venezuelano Simon Bolívar no processo de independência sul-americana. "San Martín foi um paladino do antiimperialismo" argumentou a comitiva boliviariana.   Chávez desembarcará em Tucumám acompanhado por seu chef de cuisine. O mestre-cuca boliviano, dizem as más línguas diplomáticas, tem sido uma presença constante nas viagens do presidente venezuelano, que temeria um atentado por envenenamento.   Cristina Kirchner debutará seu pescoço novo em âmbito internacional. A presidente, segundo indicou a revista Notícias, realizou uma cirurgia plástica para reformatar essa área do corpo, já que estava começando a evidenciar a inexorável passagem do tempo. Famosa por ser dona de intensa vaidade, a presidente teria aplicado fios tensores para renovar o visual.   (Com Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo, Agência Estado e Associated Press)

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