'Mercosul precisa ir além do comércio', diz ministro de Cuba

Destaque da geração pós-revolução, Pérez Roque recusa-se a falar sobre Fidel, mas ressalta liderança do Brasil

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

29 de fevereiro de 2008 | 19h56

Um dos pilares do regime cubano, Felipe Pérez Roque, afirma que Havana espera que o Brasil lidere uma ampliação do Mercosul para toda a região para que, no futuro, Cuba também possa ser incluída no bloco. Em entrevista ao Estado, o ministro das Relações Exteriores cubano destacou que a relação entre Brasília e Cuba promete ser "excelente nos próximos anos", Pérez Roque defendeu a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu que o Mercosul tenha "uma dimensão além da comercial". Antes da entrevista, assessores do chanceler informaram que ele não responderia a perguntas sobre a situação interna de Cuba, "diante da normalidade" que vive o país. Nesta sexta-feira, 29, Pérez Roque ainda convocou embaixadores na sede da ONU em Genebra para uma reunião privada, na qual reforçou a necessidade de relançar o Movimento dos Países não-alinhados. O Estado obteve uma cópia do discurso de Pérez Roque, que indicou a vontade política de Havana de retomar a idéia do grupo criado durante a Guerra Fria. Em nenhum momento do pronunciamento de 30 minutos o chanceler tocou no nome do atual presidente, Raúl Castro, ou do irmão dele, Fidel. A saída de Fidel da presidência também não foi citada, apesar de o discurso ter sido o primeiro num organismo da ONU desde a indicação e posse de Raúl, no domingo. Para embaixadores que estavam no encontro, o esforço de Cuba busca demonstrar que nada mudou com a saída de Fidel. Para diplomatas andinos, ao enfatizar a necessidade de união, Havana quer garantir que não ficará isolada nem será pressionada a abrir o regime diante do afastamento de Fidel. Nascido em 1965, o chanceler é um dos poucos membros do governo da geração pós-revolução. Engenheiro, líder estudantil e chefe de gabinete de Fidel por dez anos, Pérez Roque foi um dos três pilares do governo no período em que o ex-presidente esteve doente. Por sua idade, é considerado como possível substituto de Raúl. Eis trechos da entrevista: Nessa nova etapa em Cuba, como o sr. avalia o futuro das relações com o Brasil?Nossas relações são muito boas e serão excelentes nos próximos anos. O Brasil tem um papel muito importante na América do Sul e na América Latina por suas dimensões, população, cultura e pela força de sua economia. Por isso, Cuba considera que o Brasil seja chave para o futuro da região. O sr. espera algum tipo de transformação da política externa brasileira em relação a Cuba com as mudanças recentes em Havana?Em Havana, consideramos que a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é muito adequada e apreciamos os esforços do País para aproximar-se do Caribe, de seus vizinhos e da África. Apreciamos muito a continuidade da política externa do Brasil. Leia os principais trechos da entrevista na edição deste sábado de O Estado de S. Paulo.  

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