México adverte por 'ambiente adverso' contra seus cidadãos no Arizona

Lei imigratória permite à Polícia prender qualquer estrangeiro sem documentação no estado

estadão.com.br

27 de abril de 2010 | 11h36

CIDADE DO MÉXICO - A Secretaria de Relações Exteriores do México (SRE) emitiu um alerta nesta terça-feira, 27, recomendando que todos os mexicanos que viajem ou residam no estado americano do Arizona tomem precauções devido ao "ambiente adverso" no local causado por uma lei de imigrantes, informou a agência AFP.

 

"Existe um ambiente político adverso para as comunidades migrantes e para todos os visitantes mexicanos", explicou a SRE. O organismo esclarece que faltam meses para que a lei, promulgada na sexta, entre em vigor, mas pede aos mexicanos que estão no Arizona, no sul dos EUA, que portem seus documentos de identificação a todo o tempo.

 

"Enquanto não houver critérios definidos de quando, onde e quem supervisionará as autoridades, se deve assumir que todo cidadão mexicano poderá ser molestado e questionado sem maior causa em qualquer momento", continuou a SRE.

 

A nova lei autoriza a Polícia a deter, com base em "dúvidas razoáveis", a qualquer um que pareça um estrangeiro sem documentos no estado, mesmo que não seja suspeito de nenhuma atividade ilegal. Estima-se que haja 460 mil imigrantes ilegais entre os 6,5 milhões de habitantes do Arizona, sendo a maioria latino-americanos.

 

A chefe da SRE, Patrícia Espinosa, disse na segunda-feira que os mexicanos que vivem no EUA já sofrem com atitudes hostis, o que tende a piorar com a nova lei do Arizona.

 

"Não há risco para a população mexicana no Arizona, mas devemos atuar com cautela e precaução", disse Julián Ventura, subsecretário de Relações Exteriores para a América do Norte ao canal Televisa. "Será gerada uma grande atividade legal nos próximos meses para controlar a validade dessa lei, não somente das instituições mexicanas mas também das organizações de direitos civis americanas", concluiu Ventura.

 

A nova lei, que também criminaliza qualquer vínculo da população com os imigrantes ilegais, recebeu críticas dos governos de Honduras e Guatemala, da Secretaria Geral Ibero-americana, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do próprio presidente dos EUA, Barack Obama.

 

O presidente do México, Felipe Calderón, assegurou na segunda que seu governo utilizará "todos os recursos ao seu alcance" para defender os direitos de seus cidadãos no Arizona e instruiu a chancelaria e seus consulados a reforçar a proteção legal aos mexicanos.

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