México anuncia prisão de filho do chefe do cartel de Sinaloa

'El Vicentillo' é responsável pela estrutura operacional, logística e de segurança da organização criminosa

Agências internacionais,

19 de março de 2009 | 11h37

O suposto chefe de operações e de segurança do cartel de Sinaloa, Vicente Zambada, foi detido na Cidade do México, numa operação que as autoridades qualificaram como um importante golpe contra a organização. Vicente é filho de Ismael "El Mayo" Zambada, que divide o comando do cartel com Joaquín "El Chapo" Guzmán, segundo as autoridades.

 

O subchefe operativo do Estado Maior da Defesa, general Luis Arturo Oliver, informou que "El Vicentillo" e cinco guarda-costas se entregaram sem disparar um tiro, em um bairro residencial da capital mexicana, na madrugada de quarta-feira, depois que as autoridades receberam uma denúncia anônima sobre pessoas armadas a bordo de um veículo. O general Oliver afirmou ainda que "El Mayo" passou o comando da estrutura operacional, logística e de segurança do cartel para o seu filho. Oliver afirmou que no cartel o preso tinha "o mesmo nível" que Joaquín Guzmán Loera, 'El Chapo' Guzmán, e Ignacio Coronel Villarreal, 'Nacho Coronel'.

 

Guzmán entrou na lista divulgada recentemente pela revista Forbes das pessoas mais ricas do mundo. A fortuna dele foi avaliada pela publicação em US$ 1 bilhão, o que o colocou na 701ª posição entre os milionários.

 

Desde o início do ano, mais de mil pessoas foram assassinadas no México em casos ligados ao narcotráfico - em 2008, ocorreram 5 mil assassinatos. De acordo com dados do centro de inteligência do Departamento de Justiça, os cartéis mexicanos já operam em cerca de 230 cidades dos EUA e são responsáveis pelo aumento no número de sequestros, assassinatos e assaltos a residências em todo o país.

 

Segundo Denise Dresser, especialista da Universidade de Princeton e professora de ciências políticas na Cidade do México, o quadro é ainda mais grave. Ela estima que cerca de 450 mil pessoas estejam envolvidas com o narcotráfico e 2 mil armas por dia entrem ilegalmente no México - de acordo com o governo americano, 95% das armas usadas pelos cartéis vêm dos EUA.

 

Agentes de imigração afirmam que o armamento contrabandeado é cada vez mais sofisticado e já inclui rifles calibre .50 e munição de 5 polegadas, capaz de penetrar uma parede. Os americanos são também os maiores clientes dos narcotraficantes mexicanos. A DEA (agência antidrogas dos EUA) calcula que os cartéis mexicanos faturem cerca de US$ 30 bilhões anuais com a venda de drogas nos EUA.

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