México anuncia prisão de um dos líderes do cartel do Golfo

'El Canicón' seria o autor dos ataques com granadas contra o consulado dos EUA e instalações da Televisa

Agências internacionais,

21 de março de 2009 | 08h50

O presidente do México, Felipe Calderón, anunciou na sexta-feira, 20, a detenção do narcotraficante Sigifredo Nájera Talamantes, possível assassino de nove militares e responsável pelos ataques com granadas contra o consulado dos Estados Unidos na cidade de Monterrey e as instalações da empresa Televisa.

 

O Exército mexicano deteve o "narcotraficante conhecido como 'El Canicón', que é o responsável direto da tortura e execução destes militares e o responsável pelos atentados ao consulado dos Estados Unidos e as instalações de Televisa" em Monterrey, disse o chefe de Estado. Calderón, que participava de um ato de apresentação do relatório da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, não deu mais detalhes sobre a detenção.

 

Mais tarde, em coletiva de imprensa, a subprocuradora de Investigação Especializada em Crime Organizado (Siedo), Marisela Morales, disse que "El Canicón" foi capturado junto a outras seis pessoas, todas elas armadas. Os sete detidos foram postos à disposição da Siedo, conforme informou a Procuradoria Geral da República (PGR). Entre os detidos, está Yanet Deyanira García, acusa de ser administradora financeira do Cartel do Golfo, que no momento em que foi encontrada pelas autoridades estava com duas malas grandes e uma pasta com mais de 10 milhões de pesos (US$ 700 mil).

 

A Secretaria Nacional da Defesa (Sedena) informou em comunicado que Nájera esteve envolvido também no assassinato de seis agentes federais em três ações diferentes cometidas em 2007 e 2008, ambas em Monterrey. Monterrey, capital de Nuevo León, é um dos centros de operações do poderoso e violento Cartel do Golfo, que, segundo autoridades locais, organizou no início do ano passeatas com mulheres, crianças e jovens em repúdio à presença do Exército na região.

 

Prisões

 

O governo mexicano anunciou nesta semana a prisão de Vicente Zambada, um dos líderes do poderoso cartel de Sinaloa, na madrugada de quarta-feira em um bairro luxuoso da Cidade do México. De acordo com a polícia, nenhum tiro foi disparado durante a operação.

 

Zambada, de 33 anos e conhecido como "El Vicentillo", dedicava-se ao controle da estrutura operacional, logística e de segurança do cartel e era o responsável por ordenar execuções de autoridades e integrantes de cartéis rivais. "A detenção afeta de maneira significativa a capacidade do grupo de operar e distribuir drogas", afirmou Ricardo Cabrera, chefe da Unidade de Terrorismo e Narcotráfico da Procuradoria-Geral da República.

 

O subchefe de operações do Estado-Maior da Defesa, general Luis Arturo Oliver, disse que Zambada e cinco guarda-costas se entregaram sem fazer nenhum disparo. A polícia monitorava o movimento na região após moradores do bairro terem denunciado a presença de homens armados na rua. Na operação, foram apreendidos três fuzis AR-15, três pistolas, três automóveis e mais de US$ 5 mil.

 

Zambada é filho de Ismael "El Mayo" Zambada, considerado um dos principais barões da droga do México. Segundo autoridades, Zambada divide o comando do cartel com Joaquín Guzmán Loera, "El Chapo Guzmán". Na semana passada, Guzmán apareceu na lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão. Os EUA devem pedir a extradição de Zambada, mas antes de o pedido ser considerado ele responderá às acusações no México.

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