México concede visto humanitário a sobrevivente de massacre

O México ofereceu um visto humanitário de um ano ao imigrante equatoriano que sobreviveu ao massacre de 72 pessoas, vítimas de traficantes de drogas no norte do país, informou nesta sexta-feira o órgão de imigração do governo.

TOMÁS SARMIENTO, REUTERS

27 de agosto de 2010 | 17h17

O cidadão equatoriano foi o único sobrevivente da mais violenta chacina na guerra entre cartéis de drogas desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva militar contra o crime organizado, após chegar ao poder no final de 2006.

As vítimas -- 58 homens e 14 mulheres -- eram imigrantes da América Central e do Sul. Seus corpos foram encontrados por fuzileiros navais mexicanos em um rancho do Estado de Tamaulipas, perto da fronteira com os Estados Unidos.

A matança desta semana colocou em evidência a vulnerabilidade a qual estão expostos dezenas de milhares de imigrantes ilegais que tentam todos os anos cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos. Muitas dessas pessoas acabam vítimas do crime organizado, que as obrigam a trabalhos forçados.

"Já oferecemos a este imigrante equatoriano um visto humanitário... para que sua situação seja regularizada no país", disse Cecilia Romero, chefe do Instituto Nacional de Imigração, em entrevista por telefone a correspondentes estrangeiros.

Romero acrescentou que "enquanto ele recupera sua saúde... terá que decidir se quer permanecer no México para continuar nos ajudando nas investigações e esclarecimento deste caso... ou se quer voltar a seu país."

O visto tem duração de um ano, e o sobrevivente, sob custódia de autoridades mexicanas, poderia inclusive trabalhar no México.

Romero informou que na primeira metade do ano autoridades mexicanas resgataram 2.750 imigrantes que estavam tanto nas mãos do crime organizados como em situações de risco para tentar atravessar a fronteira com os EUA.

No ano passado, somente em Tamaulipas, que faz fronteira com o Texas, o governo mexicano resgatou com ajuda do Exército 812 imigrantes sem documento que estavam em casas de detenção do crime organizado.

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